A Apple anunciou a transição em sua liderança, com a saída do atual CEO Tim Cook marcada para 1º de setembro de 2026. O cargo será assumido por John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware da companhia.
Cook lidera a empresa desde 2011. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple passou de cerca de US$ 350 bilhões para aproximadamente US$ 4 trilhões. No ano fiscal de 2025, a receita anual superou US$ 416 bilhões. Nesse período, a empresa também ampliou sua linha de produtos e serviços, incluindo dispositivos como Apple Watch, AirPods e Apple TV, além de fortalecer sua atuação em áreas como entretenimento e serviços digitais.
Perfil do novo CEO
John Ternus integra a empresa desde 2001 e esteve à frente da engenharia de hardware. Ele participou do desenvolvimento de produtos centrais, como iPhone, iPad e Mac. Mesmo sem atuação direta na área de software, tem assumido papel relevante na integração de inteligência artificial aos dispositivos da companhia.
No início de abril, Ternus promoveu uma reorganização na estrutura de engenharia, com foco em uma nova plataforma voltada à inteligência artificial, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de produtos e aprimorar a qualidade dos dispositivos.
Pressão por avanços em inteligência artificial
A mudança de liderança ocorre em um momento de pressão sobre a Apple para avançar na área de inteligência artificial generativa. Historicamente, a empresa adotou uma abordagem voltada ao hardware premium e ao processamento local de dados, priorizando a privacidade dos usuários.
Esse posicionamento, no entanto, resultou em uma resposta mais lenta ao avanço de concorrentes como Google, Microsoft e Meta, que ampliaram investimentos e integração de IA em seus produtos.
A previsão de investimentos da Apple para 2026, estimada em cerca de US$ 14 bilhões, permanece praticamente estável, enquanto concorrentes somam valores significativamente superiores voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial.
Parcerias e reposicionamento
Para enfrentar esse cenário, a Apple firmou um acordo multianual com o Google, avaliado em cerca de US$ 1 bilhão por ano. A parceria prevê o uso dos modelos Gemini como base para a próxima geração da Apple Intelligence e para a reformulação da assistente virtual Siri.
Enquanto isso, a Microsoft avançou na integração da tecnologia da OpenAI em seus produtos, consolidando posição de destaque no setor. A Nvidia também ganhou protagonismo ao liderar o fornecimento de chips utilizados no treinamento de modelos de IA.
Avaliações de especialistas
Especialistas avaliam que a mudança de comando indica um reposicionamento estratégico. Para o professor Paulo Almeida, da Faculdade Senac-DF, a escolha de Ternus representa um novo ciclo. “A nomeação de John Ternus como novo CEO da Apple, em substituição a Tim Cook, não é apenas uma troca de liderança. É um sinal claro de mudança de ciclo”.
Segundo ele, a tendência é que a inteligência artificial seja incorporada de forma integrada à experiência do usuário, e não tratada como um produto isolado. Ele também aponta que o desafio será reduzir a distância em relação a empresas que já operam IA em larga escala.
Do ponto de vista jurídico, o advogado Luiz Augusto Filizzola D’Urso avalia que a mudança de liderança não deve alterar de forma imediata a postura da empresa em relação à privacidade. “As IAs podem ser treinadas com a utilização de um volume massivo de dados, respeitando as leis de proteção e sem violar diretrizes de privacidade. No entanto, uma forma menos agressiva de treinamento leva mais tempo para se aprimorar”.
Já o especialista Arthur Igreja considera que a transição segue um padrão histórico da empresa, com continuidade e formação interna de lideranças. Ele afirma que a mudança não indica necessariamente uma ruptura imediata na estratégia.
Na análise de Gabriel Buzzi, da Baker Tilly, a reação inicial do mercado foi moderada, alinhada às expectativas. Ele destaca que a atenção dos investidores deve se concentrar na capacidade de execução da empresa nos próximos meses, especialmente em relação aos avanços em inteligência artificial.
Cenário futuro
Apesar da solidez financeira e da ampla base de usuários, especialistas apontam que a evolução da inteligência artificial pode influenciar a competitividade da empresa no longo prazo, especialmente se consumidores passarem a considerar o desempenho de assistentes virtuais como fator decisivo na escolha de dispositivos.
Fonte: Correio Braziliense