Futuro de Angra 1 provoca novo atrito entre governo e Eletrobras privatizada

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Eletrobras, gigante do setor elétrico que foi privatizada em 2022, estão novamente em rota de colisão.

No ano passado, a divergência ocorreu por causa do número de assentos do governo no conselho de administração da empresa. Desta vez, o atrito gira em torno da usina nuclear de Angra 1, que chega ao fim de sua vida útil em dezembro de 2024.

O prolongamento de sua operação por mais 20 anos já foi oficialmente pedido à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) — entidade reguladora do setor.

Para que isso ocorra, no entanto, será preciso executar um programa de “retrofit” (modernização) da usina, capaz de garantir sua eficiência e segurança operacional ao longo das próximas duas semanas.

Estima-se um investimento de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões para atender às exigências. É aí que surge a divergência. O governo quer dividir a conta do aporte com a Eletrobras, mas enfrenta resistência da companhia.

Há um impasse sobre o tema. No Ministério de Minas e Energia, a percepção é de que as tratativas estão perto de esgotar-se no âmbito técnico e vão escalar para o “nível político” nas próximas semanas, com envolvimento do Palácio do Planalto.

Sem uma definição sobre o investimento, a nova licença fica travada e a usina de Angra 1 corre o risco de parar em dezembro.

Inaugurada em 1985, ela contribui com 640 megawatts (MW) de potência para o sistema interligado nacional.

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