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O número de mães solo no Brasil ultrapassou a marca de 11 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia. Entre 2012 e 2022, o país registrou crescimento de 1,7 milhão de mulheres nessa condição, passando de 9,6 milhões para 11,3 milhões.
O levantamento também mostra que 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães que criam os filhos sozinhas. A maioria dessas mulheres é negra e vive em situação de sobrecarga financeira e doméstica.
Os dados apontam que 72,4% das mães solo vivem em domicílios monoparentais, compostos apenas pela mãe e pelos filhos. Isso significa que grande parte dessas mulheres não conta com familiares dentro da própria residência para dividir responsabilidades diárias relacionadas aos cuidados com as crianças e às tarefas domésticas.
Além da criação dos filhos, elas acumulam funções ligadas ao sustento da casa, organização da rotina e acompanhamento escolar e de saúde das crianças.
Especialistas e pesquisadoras destacam que o termo “mãe solo” vai além da ausência de um companheiro e envolve a concentração integral das responsabilidades parentais em uma única pessoa.
Outro ponto destacado pelos estudos é a desigualdade enfrentada por mães solo no mercado de trabalho. Pesquisa desenvolvida a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostrou que mães solo possuem o menor rendimento médio entre os diferentes arranjos familiares analisados.
Segundo o levantamento, a renda média dessas mulheres é de R$ 2.322, valor inferior ao rendimento de pais com cônjuge e também abaixo da média de mães que vivem com parceiros.
Os dados também mostram que 21,9% das mães solo trabalham como empregadas domésticas, percentual superior ao registrado entre mães com companheiro e significativamente maior em comparação aos pais acompanhados.
A pesquisa ainda indica que quase 15% das famílias brasileiras são lideradas por mães solo, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste do país.
Outro dado apontado no estudo revela que 60% das mulheres que criam os filhos sozinhas são negras, evidenciando a combinação de desigualdades de gênero, raça e renda enfrentadas por parte dessa população.
Pesquisadoras apontam que a ausência de políticas públicas específicas contribui para ampliar os desafios enfrentados pelas mães solo. Entre os principais pontos citados estão a dificuldade de acesso a creches, escolas em tempo integral e programas voltados à qualificação profissional.
O número de mães solo no Brasil já supera a população total de Portugal, estimada em 10,8 milhões de habitantes.
A avaliação apresentada por especialistas é de que medidas voltadas à educação, qualificação e assistência social poderiam ampliar a autonomia financeira dessas mulheres e melhorar as condições de vida das famílias.
Fonte: DW
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