Harpia, conhecida como “rainha das florestas”, é registrada em área protegida no sul da Bahia

A presença da harpia, uma das maiores aves de rapina do mundo, foi confirmada em áreas de conservação sob gestão do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Ilhéus, no sul da Bahia. O registro foi recebido com entusiasmo pela equipe responsável pela administração de unidades como a Reserva Biológica de Una e o Refúgio de Vida Silvestre de Una.

Segundo o analista ambiental do NGI, Pablo Casella, já havia indícios da existência da espécie na região, especialmente no Parque Nacional da Serra das Lontras. “Já havia uma suspeita sobre a presença da harpia no Parque Nacional da Serra das Lontras e nas demais unidades sob gestão do NGI Ilhéus. A parceria com o Projeto Harpia trouxe essa confirmação, o que foi motivo de imensa alegria. Saber da existência da rainha das florestas em nosso território é, além de uma honra, também uma grande responsabilidade”, afirmou.

Características da espécie

Conhecida cientificamente como Harpia harpyja e popularmente como gavião-real, a harpia habita florestas tropicais, com maior ocorrência na região amazônica. A espécie apresenta dimorfismo sexual acentuado: os machos pesam entre 4 e 5 quilos, enquanto as fêmeas podem chegar a 9 quilos, com cerca de 1 metro de altura e até 2 metros de envergadura.

Sua estrutura física é adaptada para a caça no topo da cadeia alimentar. As garras podem atingir 13 centímetros e exercem força suficiente para quebrar ossos, permitindo que a ave capture presas como preguiças, macacos, répteis e outras aves.

A aparência também chama atenção pela crista que se ergue em situações de alerta e pela combinação de plumagem em tons de cinza-escuro no dorso e branco na parte inferior do corpo. Na natureza, a expectativa de vida pode chegar a 40 anos.

Indicador de equilíbrio ambiental

Para especialistas, a presença da harpia é considerada um indicativo de qualidade ambiental. A espécie necessita de grandes áreas de floresta preservada, podendo exigir entre 40 e 100 quilômetros quadrados por casal para sobreviver.

Nesse contexto, o desaparecimento da ave costuma sinalizar degradação ambiental, como perda de habitat ou escassez de alimento. Por outro lado, seu registro reforça a existência de ecossistemas equilibrados.

Registros em outras regiões

Além da Bahia, a harpia também foi identificada recentemente no Pantanal. Após uma década de monitoramento, especialistas localizaram um ninho no Maciço do Urucum, em Mato Grosso do Sul, em 2025. O achado reforça a relevância das áreas protegidas para a conservação da espécie.

Ameaças à sobrevivência

Apesar de sua posição no topo da cadeia alimentar e da ausência de predadores naturais, a harpia é classificada como “quase ameaçada” de extinção. A principal ameaça é a ação humana, especialmente o desmatamento e a fragmentação das florestas.

Outro fator que dificulta sua recuperação é o ritmo reprodutivo lento. Em média, um casal se reproduz a cada três anos, devido ao longo período de cuidado com os filhotes.

Importância cultural

A harpia também possui relevância simbólica em culturas indígenas. Para alguns povos, a ave representa força e liderança. Entre os Mehinako, por exemplo, havia o costume de manter exemplares em gaiolas nas aldeias, e suas penas eram utilizadas em rituais e adornos.

A conservação da espécie, portanto, está diretamente ligada à preservação das florestas e à manutenção do equilíbrio ecológico, além de envolver aspectos culturais importantes.

Fonte: Jornal Correio

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