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O processo de concessão da BR-116, principal eixo logístico que interliga o interior baiano ao restante do país, voltou a ser alvo de questionamentos nesta semana. O alerta foi formalizado por José Maria Caires, líder do movimento Duplica Sudoeste, que expressou profunda preocupação após analisar o cronograma de obras previsto para a futura concessionária do trecho.
Segundo Caires, o documento detalha uma série de intervenções, mas omite a construção de viadutos — uma das demandas mais antigas e recorrentes de motoristas e moradores da região. Em vez das estruturas de desnível, o projeto atual prioriza a implementação de rotatórias alongadas, acessos e retornos, soluções que são vistas por lideranças locais como paliativas e insuficientes para garantir a fluidez e a segurança em pontos críticos da rodovia.
Outro ponto de atrito no cronograma refere-se ao ritmo das obras de ampliação da pista. O planejamento indica que a duplicação efetiva da BR-116 terá início apenas no terceiro ano da concessão. Além do prazo estendido, a etapa inicial contemplaria aproximadamente 46 quilômetros, uma extensão considerada modesta diante do passivo de infraestrutura acumulado ao longo de anos de debates e audiências públicas.
Diante do risco de o contrato ser assinado sem a inclusão de intervenções estruturais, o movimento Duplica Sudoeste defende uma mobilização imediata da sociedade civil. A estratégia proposta é pressionar representantes políticos para que exijam explicações técnicas e alterações no plano de concessão antes de sua conclusão definitiva.
“Discutir o cronograma agora é essencial para evitar que decisões definitivas sejam tomadas sem diálogo com a população”, reforça a liderança do movimento. A preocupação é que, uma vez formalizado o contrato, as expectativas por soluções eficazes e duradouras sejam frustradas por um projeto que ignora a necessidade de viadutos em favor de intervenções de menor impacto.
A BR-116 é vital para a economia e a mobilidade regional. Por se tratar de uma via de alto fluxo de carga e passageiros, a ausência de obras que melhorem a segurança viária impacta diretamente o desenvolvimento do sudoeste baiano. O debate atual busca garantir que o processo de concessão seja transparente e que o investimento privado reflita, de fato, as prioridades das comunidades cortadas pela rodovia.
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