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Uma pesquisa brasileira está revolucionando o tratamento de lesões na medula espinhal, até então consideradas irreversíveis. Liderado pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo conseguiu fazer pacientes tetraplégicos recuperarem movimentos e até voltarem a andar após o uso da polilaminina, uma proteína experimental desenvolvida ao longo de quase 30 anos de pesquisa.
A polilaminina é produzida a partir de proteínas extraídas da placenta humana e atua diretamente no local da lesão, recriando uma espécie de “malha biológica” que estimula a reconexão dos neurônios rompidos. Aplicada cirurgicamente em até 48 a 72 horas após o trauma, em dose única e associada à fisioterapia, a substância favorece a regeneração dos circuitos nervosos da medula espinhal.
Até o momento, pelo menos 16 pacientes brasileiros tiveram acesso ao tratamento experimental. Desses, seis apresentaram recuperação significativa dos movimentos, incluindo braços, pernas e tronco, enquanto outros registraram ganhos parciais de sensibilidade e mobilidade – resultados inéditos em casos graves de paraplegia e tetraplegia. Relatos de pacientes apontam retomada da autonomia em atividades do dia a dia.
O tratamento é desenvolvido em parceria com o laboratório Cristália e já teve a fase 1 dos testes clínicos aprovada pela Anvisa, etapa que avalia a segurança da substância. Os procedimentos são realizados por equipes médicas especializadas, com acompanhamento de hospitais públicos do Rio de Janeiro.
Discreta e distante das redes sociais, Tatiana Sampaio destaca que o avanço é fruto de um esforço coletivo entre universidade, hospitais e profissionais da saúde. A descoberta já coloca o Brasil em posição de destaque no cenário científico internacional e reacende a esperança de milhões de pessoas com lesões na medula espinhal, sendo apontada por especialistas como uma das maiores inovações da medicina brasileira nas últimas décadas.
Fonte: G1 e Jornal do Vale
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