Durante os períodos mais quentes do ano, o aumento da temperatura e da umidade cria um ambiente favorável para a proliferação do fungo causador da candidíase, levando muitas mulheres a relatarem episódios frequentes da infecção. Quando os casos se repetem, o quadro pode indicar candidíase recorrente, condição que exige atenção médica e mudanças nos hábitos diários.
A candidíase é provocada por um fungo que faz parte da flora vaginal, mas que pode se multiplicar de forma excessiva em determinadas circunstâncias, causando sintomas como coceira, irritação e corrimento. Mulheres com imunidade comprometida, como gestantes, pacientes com doenças crônicas ou em tratamentos que afetam o sistema imunológico, apresentam maior predisposição às infecções frequentes. Além disso, fatores do cotidiano têm influência direta no aparecimento do problema.
Entre os principais agravantes estão o calor excessivo e o uso de roupas inadequadas. As altas temperaturas aumentam a umidade na região genital, favorecendo o crescimento do fungo. Segundo a ginecologista Thais Santarossa, especialista em mastologia pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), evitar o uso de roupas íntimas molhadas é uma medida importante. “O fungo gosta de umidade e calor, o que facilita sua proliferação. Evitar biquínis molhados e roupas íntimas úmidas ajuda a reduzir os episódios de candidíase”, explica.
O tipo de vestuário também faz diferença. A ginecologista Iana Carruego, da clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo, recomenda o uso de calcinhas de algodão, preferencialmente em tons claros, que absorvem menos calor. Roupas muito justas, como jeans apertados, devem ser evitadas, pois aumentam o abafamento da região íntima e criam condições favoráveis à proliferação do fungo.
A alimentação é outro fator relevante. Dietas ricas em açúcar, produtos industrializados e ultraprocessados podem estimular o crescimento do fungo Candida. Carruego orienta reduzir o consumo de alimentos com corantes, adoçantes artificiais e produtos altamente processados. A especialista destaca ainda que os probióticos, administrados por via oral ou vaginal, podem auxiliar na recomposição da flora e na prevenção da infecção, desde que utilizados com orientação médica. O uso excessivo, segundo ela, pode causar desequilíbrios como o supercrescimento bacteriano intestinal, conhecido como SIBO. Por isso, a recomendação é priorizar uma alimentação rica em fibras e prebióticos naturais.
Os cuidados com a higiene íntima também merecem atenção. O uso excessivo de sabonetes na região genital pode alterar o pH vaginal e facilitar a proliferação do fungo. Além disso, deixar roupas íntimas secando em locais úmidos, como banheiros, pode contribuir para o problema. Dormir sem calcinha, evitar tecidos sintéticos e garantir que roupas íntimas e toalhas sequem em ambientes arejados são medidas simples que ajudam na prevenção.
Para mulheres que enfrentam candidíase recorrente, tratamentos preventivos podem ser indicados. De acordo com Carruego, estratégias com imunomoduladores têm apresentado resultados mais eficazes do que abordagens utilizadas anteriormente. Diante de sintomas frequentes, a orientação é procurar um médico para diagnóstico e tratamento adequados. Ajustes na rotina, no vestuário, na alimentação e na higiene podem reduzir significativamente a recorrência da infecção e melhorar a qualidade de vida.
Fonte: CNN






