Robô desenvolvido nos EUA “canta” ao sincronizar movimentos labiais com músicas

Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô capaz de sincronizar os movimentos dos lábios de forma semelhante à de um ser humano durante o canto. Batizado de Emo, o protótipo representa um avanço nos estudos sobre mecânica facial aplicada à robótica e busca compreender como reproduzir expressões humanas de maneira mais realista.

Apesar dos avanços tecnológicos já permitirem que robôs realizem tarefas que superam capacidades humanas em diversas áreas, a criação de máquinas com aparência e expressões idênticas às das pessoas ainda está distante. Diferentemente do que é retratado em obras de ficção científica, como a franquia Blade Runner, em que humanos e robôs são quase indistinguíveis, a tecnologia atual ainda enfrenta desafios significativos nesse campo. O Emo, no entanto, surge como um exemplo de progresso nessa direção.

O robô foi projetado exclusivamente como um rosto robótico, sem corpo, e não possui cordas vocais. Isso significa que ele não fala nem canta de fato. O funcionamento se assemelha a um karaokê sem voz: enquanto uma música ou áudio é reproduzido externamente, o Emo apenas movimenta os lábios de acordo com as palavras, simulando o canto.

Para alcançar esse efeito, os pesquisadores equiparam o rosto do robô com 26 motores miniaturizados, instalados sob uma camada de silicone que imita a pele humana. Esses motores permitem movimentos sutis, responsáveis por reproduzir expressões faciais próximas às de uma pessoa real. Segundo a equipe da Universidade Columbia, o processo de aprendizado foi gradual. Inicialmente, o robô passou horas realizando expressões diante de um espelho para entender como cada motor afeta os movimentos faciais. Em seguida, começou a “assistir” a vídeos de pessoas falando e cantando, a fim de aprender como esses gestos ocorrem na prática.

Atualmente, o Emo consegue sincronizar os lábios para “cantar” em diferentes idiomas, embora ainda apresente limitações com alguns sons específicos, como os das letras “B” e “W”.

O estudo, publicado em janeiro de 2026 na revista científica Science Robotics, também contribui para a compreensão do chamado vale da estranheza. O conceito descreve a sensação de desconforto que surge quando robôs ou personagens digitais se aproximam da aparência humana, mas ainda apresentam algo visualmente “errado”. Isso ocorre porque o rosto humano é capaz de realizar dezenas de movimentos musculares extremamente sutis, que ainda não são totalmente compreendidos pela ciência.

Para o diretor do laboratório responsável pelo projeto, Hod Lipson, a interação contínua com pessoas é fundamental para aprimorar o desempenho do robô. “Quanto mais ele interagir com humanos, melhor ficará. Nosso objetivo é resolver esse problema, que tem sido negligenciado na robótica”, afirmou em mensagem ao site Cnet.

Com o Emo, os pesquisadores buscam avançar no desenvolvimento de robôs com mecânica facial mais sofisticada, contribuindo para estudos que unem tecnologia, expressão humana e interação entre pessoas e máquinas.

Fonte: CNN

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