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A Lei sancionada em julho tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce do TDAH, um transtorno neurocomportamental, mais frequente na infância e no sexo masculino, e que acompanha a pessoa até a vida adulta.
Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), o distúrbio acomete de 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo.
O objetivo da nova lei é conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce. O TDAH é um transtorno neurocomportamental, mais frequente na infância e no sexo masculino, e que acompanha a pessoa até a vida adulta. Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), o distúrbio acomete de 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo.
São três os principais sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem aparecer de forma isolada ou conjunta. No primeiro, a pessoa tem dificuldade, por exemplo, de concentração e de seguir instruções. Na hiperatividade, o comportamento envolve movimentação constante e dificuldade em manter-se quieto, enquanto o último sintoma pode levar a respostas precipitadas e dificuldade de espera. Esses sintomas podem ainda ser divididos entre leve, moderado e grave, conforme o impacto que causam.
“Os sintomas devem sempre estar presentes antes dos 12 anos de idade e devem ocorrer em pelo menos dois ambientes, ou seja, não ocorre somente em casa ou na escola. Eles (sintomas) podem interferir no funcionamento social, acadêmico e profissional da pessoa”, explica Letícia Brito Sampaio, neurologista infantil e membro da Academia Brasileira de Neurologia.
Segundo a neurologista infantil, o diagnóstico do TDAH é clínico, ou seja, não há um exame para detectá-lo. “Estudos mostram que pais que têm diagnóstico de TDAH apresentam riscos de 2 a 8 vezes maior de seus filhos apresentarem o mesmo transtorno, com risco semelhante entre os irmãos”, destaca Letícia.
O autônomo Davi Augusto, de 29 anos, foi diagnosticado com TDAH aos sete anos de idade. Para ele, a maior dificuldade era a concentração. “O desafio da vida é a questão de organização e atenção. Perdemos a atenção por alguma coisa mínima que passa ao nosso lado, desconcentra. Mas um ponto forte: quando gosta de algo, fixa e dispõe de toda energia para tal tarefa”, diz Davi.
O início do tratamento precoce é parte fundamental para pacientes com TDAH. O método é multiprofissional, composto por orientação aos pais, participação da escola, terapia cognitiva comportamental e tratamento medicamentoso. Este último, desde o diagnóstico confirmado, também é essencial para diminuir os sintomas do TDAH e dos transtornos disruptivos associados. “É superior às terapias adjuvantes (tratamento que é feito de maneira complementar após a realização de um procedimento principal), principalmente no início do tratamento”, esclarece Letícia Brito.
O tratamento é feito com base na idade e na presença ou não de comorbidades, como transtorno disruptivo de comportamento ou comportamento opositivo desafiador. Em crianças pré-escolares, o procedimento inicial prevê intervenção psicossocial e participação da família. Em casos em que não há melhora e que há prejuízos de desenvolvimento social, por exemplo, pode haver medicação estimulante. Em crianças, adolescentes e adultos, transtornos como o de ansiedade e o de humor devem ser tratados antes do TDAH, quando diagnosticados simultaneamente ao Déficit de Atenção.
Para Davi Augusto, o tratamento precoce foi importante para a qualidade de vida que ele tem hoje. “Hoje, o TDAH não afeta na minha vida pessoal e profissional por conta do tratamento que foi feito. É difícil aceitar no começo, mas depois de certo tempo de tratamento vemos que não é nada demais quando se tem apoio”, diz.
Sobre a Semana Nacional de Conscientização do TDAH, ele acredita que irá ao encontro da necessidade de diagnóstico precoce feito pelas famílias. “Acho a lei muito importante porque hoje tem muitas famílias que não conseguem perceber que o filho tem algum tipo de TDAH.” Para a doutora Letícia, a nova lei poderá quebrar tabus que envolvem o distúrbio. “Há um mito muito grande, dizem que não existe. A semana vai ser importante para esclarecer as pessoas sobre quadro clínico e necessidade de tratamento”, conclui. Fonte: Brasil 61
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