O escândalo de fraudes no INSS chegou ao seu ponto mais tenso após a base do governo Lula barrar a convocação de Lulinha, citado pela oposição como possível beneficiário indireto do esquema que desviou bilhões de aposentados e pensionistas. A votação apertada (19 a 12) expôs a divisão na CPMI que investiga o caso.
A fraude, revelada entre 2019 e 2024, envolveu sindicatos, associações e empresas de fachada que descontavam mensalidades sem autorização, causando prejuízo superior a R$ 6 bilhões e atingindo mais de 5,4 milhões de beneficiários. A CGU identificou assinaturas falsas, documentos irregulares e entidades sem estrutura mínima. Muitas também atuavam sem Acordos de Cooperação Técnica e descumpriram um decreto de 2020 que exigia autorização expressa para descontos.
As apurações resultaram em 207 inquéritos, 192 prisões e 701 mandados de busca. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido, e outros cinco servidores afastados. O relator da CPMI, Alfredo Gaspar, classificou o Sindinapi como organização criminosa, estimando ganhos ilegais de R$ 600 milhões, além de apontar lavagem de dinheiro envolvendo dirigentes e empresas de fachada. Nomes como Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, são apontados como centrais no esquema — Antunes teria ampliado seu patrimônio em R$ 14 milhões em apenas três meses.
A base governista também impediu convocações do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de outros nomes ligados a possíveis conexões políticas do caso. O governo já devolveu R$ 1,29 bilhão a 2,3 milhões de aposentados, suspendeu todos os convênios de desconto automático e estuda proibi-los de vez. A CPMI segue até o fim do ano, podendo ser prorrogada.
Fonte: Brasil Paralelo






