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Um novo estudo publicado em novembro na revista JAMA Network Open reforça que nunca é tarde para começar a se exercitar. A pesquisa concluiu que níveis mais altos de atividade física na meia-idade — entre 45 e 64 anos — e na vida tardia — dos 65 aos 88 anos — estão associados a uma redução de 41% e 45% no risco de demência, respectivamente.
Segundo Phillip Hwang, autor principal e professor da Universidade de Boston, o objetivo era entender se o impacto do exercício variava ao longo da vida adulta. Para isso, foram analisados dados de mais de 4 mil participantes do estudo Framingham Heart Study. O trabalho também mostrou que a prática de atividades no início da vida adulta, dos 26 aos 44 anos, não apresentou relação direta com o risco de demência. Já entre idosos com o gene APOE ε4 — o maior fator de risco genético para Alzheimer — níveis elevados de atividade física representaram uma redução de 66% na probabilidade de desenvolver a doença.
Especialistas destacam que o estudo não determina a quantidade exata de exercício ideal, já que os pesquisadores utilizaram uma medida composta de sono, comportamento sedentário e intensidade de atividades. Mesmo assim, evidências anteriores apontam benefícios claros: pesquisas mostram queda de 25% no risco de demência entre pessoas que caminham cerca de 3.800 passos por dia, além de vantagens associadas ao uso da bicicleta como meio de transporte.
A cientista Sanjula Singh, da Escola de Medicina de Harvard, afirma que os resultados reforçam que determinados períodos da vida podem ser especialmente importantes para a saúde cerebral. O neuropsicólogo Raphael Wald ressalta que a meia-idade concentra fatores de risco vasculares — como hipertensão e diabetes — que têm relação direta com doenças neurodegenerativas. Exercícios ajudam a controlar esses quadros e também contribuem para reduzir inflamações e o acúmulo de proteínas beta-amiloides, associadas ao Alzheimer.
As recomendações da Organização Mundial da Saúde orientam ao menos 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, além de treinos de força. Para iniciantes, especialistas sugerem começar de forma gradual, evitando lesões, e adotar hábitos consistentes, como caminhadas diárias curtas.
Embora o estudo apresente limitações — como possíveis imprecisões no autorrelato dos participantes e falta de dados contínuos sobre suas rotinas ao longo da vida —, pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância de se manter ativo, mesmo começando mais tarde.
Fonte: CNN
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