Tarifas dos EUA podem gerar perda anual de mais de US$ 3 bilhões ao Brasil, aponta estudo

As tarifas impostas pelos Estados Unidos podem causar uma perda superior a US$ 3 bilhões por ano nas exportações brasileiras, segundo estudo da consultoria BMJ encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apenas entre agosto e outubro, o prejuízo acumulado chegou a US$ 767,8 milhões.

O setor industrial é o mais afetado, respondendo por 27,3% das perdas mensais, cerca de US$ 255,9 milhões. Entre os produtos mais atingidos estão ferroligas, pneus, madeira, aço e itens diversos de manufatura. A alíquota adicional de 40% continua incidindo sobre aço, alumínio, cobre, madeira e café solúvel.

O estudo destaca ainda que 74% do valor exportado aos EUA segue sob alguma forma de sobretaxa. Outras ameaças vêm de investigações abertas pelo governo norte-americano com base na Seção 301, relacionadas a temas como desmatamento, propriedade intelectual e sistemas de pagamento, incluindo o Pix.

Apesar disso, 13 grupos de produtos, como café não torrado, carne bovina, frutas, minério de ferro e petróleo, foram retirados das tarifas após decisão do presidente Donald Trump em 14 de novembro, o que reduziu parte do impacto.

Segundo a BMJ, manufaturados brasileiros enfrentam atualmente desvantagem competitiva de 25 a 30 pontos percentuais em relação a exportadores da Argentina, União Europeia e Reino Unido. Sem acordo comercial, a perda anual pode chegar a US$ 5 bilhões. Com avanço nas negociações, o Brasil poderia recuperar até US$ 1,6 bilhão por ano.

Em ordem executiva recente, Trump afirmou que eventuais reembolsos de tarifas serão processados dentro das regras da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Fonte: Revista Oeste

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