Congresso não aprova orçamento e governo dos EUA entra em shutdown

O governo dos Estados Unidos entrou em shutdown à meia-noite desta quarta-feira (1º), após o Congresso não alcançar maioria para aprovar o orçamento do ano fiscal de 2026. A paralisação interrompe o funcionamento de diversos departamentos federais e deve gerar impacto direto na economia do país.

Com o shutdown, parte dos funcionários públicos será dispensada e aqueles que permanecerem em atividade deixarão de receber salários temporariamente. Na última paralisação, ocorrida durante o primeiro mandato de Donald Trump, os 35 dias de interrupção resultaram em prejuízos de US$ 3 bilhões para a economia norte-americana, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso.

Especialistas apontam que os efeitos desta vez podem ultrapassar as fronteiras americanas. Em um primeiro momento, o dólar tende a se valorizar, reflexo da busca por ativos considerados mais seguros em meio à incerteza, avalia Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank. Ela pondera, no entanto, que uma percepção de “desfuncionalidade política” pode pesar contra os ativos dos EUA e favorecer a diversificação em outras moedas.

Já Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, avalia que o cenário pode ser desfavorável para o dólar, diante de uma possível retração do PIB combinada ao elevado nível de endividamento. “Você tem de novo uma continuação da tendência de desvalorização do dólar em relação ao resto do mundo”, afirma.

No Brasil, empresas podem sentir reflexos no ambiente de crédito, destaca Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX. Segundo ele, a valorização do dólar somada a juros globais elevados encarece a captação e reduz a margem de manobra, embora aumente a atratividade de instrumentos como FIDCs, que oferecem maior previsibilidade.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, ressalta que shutdowns são relativamente comuns e costumam ter impacto limitado quando curtos. Nesta ocasião, porém, ela vê um agravante: a suspensão do relatório de empregos de setembro, usado pelo Federal Reserve como referência para decisões de política monetária. “A ausência do dado pode levar à realização de lucros recentes e provocar queda nas Bolsas de Nova York”, avalia.

Conforme o tempo de paralisação se prolongue, o efeito sobre o consumo interno pode se intensificar. Para Andressa Durão, economista do ASA, a postergação de gastos de servidores públicos tem impacto direto no mercado. “Os economistas estimam perdas de -0,1% do PIB por semana, em média”, afirma.

Fonte: CNN

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