Kelly Key se reinventa e assume presidência de clube de futebol em Angola

Quem viveu os anos 2000 no Brasil certamente associa Kelly Key a hits como Cachorrinho, Baba, Adoleta e Anjo. Mas, hoje, a artista pop está construindo um novo capítulo em sua trajetória, distante dos palcos e bem próximo dos gramados. Aos 42 anos, Kelly Key é presidente do Kiala FC, clube de futebol de base fundado em Angola, onde vive há quatro anos com o marido, Mico Freitas, e o filho caçula.

A iniciativa surgiu em outubro de 2023, a partir de um encontro casual: cinco meninos jogando com uma bola improvisada de meias em um terreno da família de Freitas. A cena sensibilizou o casal e deu origem ao projeto. O que começou com a doação de chuteiras e bolas rapidamente ganhou dimensão. Em maio de 2024, o clube foi reconhecido oficialmente pela Associação de Futebol angolana e, em julho, conquistou o título dos Provinciais — o equivalente aos campeonatos estaduais no Brasil — nas categorias Sub-17 e Sub-19.

Atualmente, o Kiala FC atende 80 jovens atletas, oferecendo não apenas treinos, mas também suporte social, com três refeições diárias. Segundo Kelly Key, a prioridade do clube vai além da competição: “Muitos desses meninos se alimentavam apenas uma vez ao dia. Hoje, conseguimos oferecer estrutura, cuidado e perspectivas reais de futuro”.

Apesar de só recentemente ter viralizado entre os fãs brasileiros, a ligação da cantora com o futebol não é nova. Mico Freitas, seu marido há 25 anos, sempre atuou na área, passando pelo Vasco da Gama como técnico da base e mais tarde trabalhando no empresariamento de atletas. Essa vivência aproximou Kelly do esporte. “Antes, eu acompanhava apenas como torcedora. Mas quando passei a ver o futebol pelo lado da gestão, me apaixonei pela transformação que ele pode gerar na vida desses jovens”, contou.

Mesmo sem contar com grandes patrocinadores no início, o clube conquistou apoio para garantir a alimentação dos atletas após a repercussão dos títulos. Isso permitiu que a gestão direcionasse investimentos para o preparo físico e a formação dos jogadores. O próximo passo é ampliar a visibilidade dos atletas angolanos para o cenário internacional. “O objetivo do Kiala sempre foi exportar talentos. Queremos dar a esses meninos a chance de jogar no mundo”, afirmou a presidente.

A mudança de país também representou uma transformação pessoal. Kelly relata que o início em Angola foi desafiador, sobretudo pelo distanciamento dos filhos mais velhos, que vivem fora do país. Aos poucos, porém, encontrou no Kiala um propósito maior. “Esse é o maior projeto da minha vida. A música me deu muito, mas hoje eu me realizo vendo esses meninos crescendo e acreditando em um futuro melhor.”

Questionada sobre a carreira artística, a resposta reflete seu atual momento: “Se eu quiser cantar amanhã, canto. Mas eu não preciso estar presa a uma única identidade. O Kiala prova que a gente pode se reinventar em qualquer fase da vida”.

Assim, a artista que marcou uma geração na música brasileira agora escreve uma nova história no futebol angolano — desta vez, longe dos holofotes das paradas musicais, mas com a mesma determinação em transformar sonhos em realidade.

Fonte: CNN

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