Astrônomos registraram, com clareza sem precedentes, a colisão de dois buracos negros localizada a cerca de 1 bilhão de anos-luz da Terra. O evento, denominado GW250114, foi detectado pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo), nos Estados Unidos, e publicado na revista Physical Review Letters nesta quarta-feira (10).
O fenômeno confirmou duas previsões centrais da física moderna: a equação de Roy Kerr, fundamentada na teoria da relatividade de Albert Einstein, e o teorema da área formulado por Stephen Hawking.
Segundo os pesquisadores, cada buraco negro tinha entre 30 e 35 vezes a massa do Sol. Após a fusão, formou-se um corpo de 63 massas solares, girando a 100 rotações por segundo. O sinal permitiu identificar a “ressonância” do objeto final — um tipo de vibração semelhante ao som de um sino — revelando informações sobre sua massa e rotação. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram registrar de forma clara o tom fundamental e seu harmônico.
Essas medições sustentam a hipótese de que buracos negros podem ser descritos apenas por dois parâmetros: massa e rotação, conforme previsto por Einstein e Kerr. Além disso, confirmaram o teorema de Hawking, que estabelece que a área superficial resultante de uma fusão nunca diminui.
Desde 2015, quando o Ligo captou ondas gravitacionais pela primeira vez, mais de 300 colisões de buracos negros já foram registradas. Com as melhorias recentes em lasers e espelhos, a nova detecção é três vezes mais precisa que a pioneira, consolidando o Ligo como ferramenta fundamental para investigar os limites da gravidade e do espaço-tempo.
Para os cientistas, o avanço representa não apenas um marco técnico, mas também um passo decisivo rumo à compreensão da relação entre relatividade e mecânica quântica — um dos maiores desafios da física contemporânea.
Fonte: CNN






