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Entre o verde denso da Mata Atlântica, o calor úmido do Sul da Bahia e o aroma das amêndoas fermentadas, corre a Estrada do Chocolate, um trecho de 43 quilômetros que liga Ilhéus a Uruçuca. Mais do que um caminho asfaltado, o percurso é uma linha do tempo que conecta o passado de riqueza dos coronéis do cacau à reinvenção produtiva e turística da região.
Foi nesse cenário que Jorge Amado ambientou obras como Gabriela, Cravo e Canela (1958), eternizando o cacau como símbolo de poder, vaidade e identidade cultural. A fruta chegou à Bahia no século XVIII e, no início do século XX, já era o principal produto de exportação do estado. O ciclo, no entanto, sofreu um duro golpe em 1989, com a chegada da praga conhecida como vassoura-de-bruxa, que reduziu drasticamente a produção.
A retomada veio com novos modelos. Hoje, a Bahia conta com cerca de 30 mil produtores, a maioria da agricultura familiar, e se destaca pela transformação do cacau de commodity em produto de origem, com chocolates produzidos no sistema bean-to-bar. “Estamos trabalhando de uma forma em que a preservação ambiental é levada a sério”, afirma Gerson Marques, da Fazenda Yrerê, referindo-se ao sistema agroflorestal Cabruca, que integra o cultivo às árvores nativas.
No mundo, o Brasil ocupa a sexta posição em volume de produção; internamente, o Pará lidera em quantidade, enquanto a Bahia concentra o maior número de indústrias do setor. Eventos como o Chocolat Festival, em Ilhéus desde 2009, reforçam a relevância do produto.
O turismo também se consolidou como novo caminho. Fazendas históricas e tecnológicas abrem as portas para visitantes conhecerem desde a colheita manual até a degustação de chocolates artesanais ou industriais. Na Yrerê, o turista percorre trilhas na mata e aprende sobre fermentação antes de provar chocolates autorais. Já a Fazenda Riachuelo alia tradição e tecnologia, com fábrica própria que processa 180 quilos de chocolate por dia e coleciona prêmios internacionais.
Além delas, propriedades como Provisão, Capela Velha e Independência integram as rotas turísticas da região, oferecendo experiências imersivas que unem história, sustentabilidade e sabor.
Assim, a Estrada do Chocolate e suas rotas vizinhas consolidam o cacau como elo entre passado e futuro, mantendo viva a herança cultural e econômica da região e transformando a fruta em atrativo turístico e símbolo de identidade baiana.
Fonte: CNN
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