Correios adiam pagamentos de R$ 2,75 bilhões em meio à pior crise financeira dos últimos anos

Enfrentando uma grave crise financeira, os Correios decidiram adiar o pagamento de compromissos que somam R$ 2,75 bilhões. A medida, confirmada pela própria estatal, visa preservar a liquidez da empresa e reorganizar o fluxo de caixa, após quase três anos consecutivos de resultados negativos — um total de 11 trimestres seguidos no vermelho.

O adiamento de repasses já vinha sendo sinalizado em notas explicativas anexadas aos balanços contábeis, mas o valor consolidado da dívida só foi revelado agora. Em comunicado interno, o setor financeiro da estatal reconhece a decisão de postergar diversos pagamentos como tentativa de evitar um colapso nas finanças da companhia.

Entre os compromissos adiados estão pagamentos ao plano de saúde dos funcionários (Postal Saúde), ao fundo de pensão Postalis, ao programa Remessa Conforme, ao INSS, a fornecedores, franquias e a tributos federais como PIS e Cofins. Mais da metade do valor total refere-se a encargos cujo atraso gera multas e juros, mas que não comprometem, por ora, o funcionamento operacional da empresa.

Um relatório da Receita Federal anexado ao pedido de certidão negativa de débitos aponta que a estatal acumula R$ 1,3 bilhão em tributos não quitados. Além disso, empresas prestadoras de serviços de transporte ajuizaram ações na Justiça Federal, cobrando cerca de R$ 104 milhões em faturas em atraso.

A direção da empresa afirma que o adiamento dos pagamentos é temporário e que busca alternativas para reequilibrar as contas. Uma das estratégias é captar R$ 1,8 bilhão em novos recursos, embora ainda não tenha sido especificada a origem — se por meio de operações de crédito ou aportes da União.

No fim de 2024, os Correios já haviam recorrido a dois empréstimos, totalizando R$ 550 milhões, contratados junto aos bancos Daycoval e ABC. Esses financiamentos vencem até o fim de 2025, e as primeiras parcelas começaram a vencer em julho.

Outra frente de aposta da atual gestão é a liberação de R$ 4,3 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), vinculado ao bloco dos Brics. O valor, no entanto, será destinado exclusivamente a projetos de logística sustentável e não poderá ser utilizado para cobrir o déficit de caixa da estatal.

Em nota oficial, os Correios atribuíram o atual cenário a fatores externos, como mudanças na legislação que impactaram o comércio exterior, novas regras de importação e o aumento da concorrência. Segundo a empresa, essas alterações reduziram o volume de postagens e exigiram respostas rápidas para conter a perda de receita e competitividade.

O impacto dessa conjuntura foi mais evidente no primeiro trimestre de 2025, quando a estatal registrou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão — o pior resultado trimestral desde 2017, ano em que os balanços passaram a ser divulgados com regularidade. O valor representa um aumento de 115% em relação ao mesmo período de 2024. Dos 11 trimestres seguidos de prejuízo, nove ocorreram sob a presidência de Fabiano Silva.

Fonte: Conexão Politica

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