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Se já era caro para os torcedores brasileiros assistirem ao clássico Argentina x Brasil nas arquibancadas do Monumental de Núñez, imagina quanto não custou para os jogadores da Seleção, que acompanharam a partida de dentro de campo. Para Dorival, o preço pode ser até mesmo o emprego.
Fazia tempo que o Brasil não apresentava uma atuação tão constrangedora quanto a da última quarta-feira. Sofrer um gol em três minutos pode acontecer, mas levar dois em apenas 12 minutos revela que o time está muito aquém ou completamente desorientado. Diante do que se desenrolou até o fim do jogo, é difícil identificar qual dessas características melhor define a derrota de 4 a 1 para a Argentina.
Matheus Cunha, que foi o único brasileiro a acertar um chute ao gol em 95 minutos de partida no Monumental de Núñez, afirmou em uma entrevista no sábado, em Brasília, que não via a seleção argentina em um nível superior ao da Seleção Brasileira. Ele se baseou nas individualidades de cada equipe para justificar sua opinião. Nesse aspecto, talvez ele tenha um ponto válido. O problema é que futebol é um esporte coletivo. Se 11 talentos entram em campo e não conseguem se conectar minimamente em jogadas, nada acontece.
Foi exatamente isso que ocorreu no segundo tempo de Argentina x Brasil. Não contávamos com 11 craques, mas sim com 11 jogadores da Seleção Brasileira dispersos em campo.
Percebendo que o Brasil apenas observava a seleção argentina jogar, Dorival Júnior voltou para o segundo tempo com Léo Ortiz, João Gomes e Endrick, três jogadores que só haviam treinado juntos três vezes — e entre os reservas! Dois deles nem sequer estavam na lista inicial de convocados pelo treinador.
Dorival e a responsabilidade pelo fracasso da Seleção contra a Argentina
Após a partida, o treinador apressou-se em afirmar que a responsabilidade pelo fiasco era dele. Essa foi provavelmente a análise mais precisa que Dorival Júnior fez após um jogo desde que assumiu a Seleção há um ano. No entanto, ainda assim, sua afirmação carecia de precisão.
A culpa recai exclusivamente sobre o treinador quando uma derrota dessa magnitude é um resultado atípico. Mas a goleada sofrida para a Argentina é apenas mais um capítulo de uma Seleção que, nos últimos 15 anos, se acostumou a perder torneios, cair precocemente nas Copas do Mundo e aceitar um futebol medíocre. E isso não é culpa de Dorival Júnior; é responsabilidade de todos aqueles que passam os anos reclamando sobre arbitragem, calendário e gramados, mas na véspera de um Argentina x Brasil não levantam uma única voz contrária ao rumo que o futebol brasileiro tomou.
Nelson Rodrigues certa vez escreveu que toda unanimidade é burra. Mal sabia ele que essa burrice poderia resultar em um 4 a 1 contra aquela que já foi considerada a seleção mais temida do mundo.
Fonte: Lance!
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