Leptospirose: Conheça sintomas, formas de prevenir e tratamento

O estado de calamidade pública foi declarado para 425 municípios do Rio Grande do Sul no último domingo (5) devido às intensas chuvas que resultaram em 100 mortes e 130 desaparecidos até a última quarta-feira (8). A situação alarmante também aumentou o risco de leptospirose, uma preocupação para os profissionais de saúde pública.

Leptospirose: Uma Doença Zoonótica A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira, frequentemente transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, como ratos. As enchentes criam condições favoráveis para a propagação da doença, aumentando o risco para as pessoas em contato com as águas inundadas. A transmissão ocorre de animais para humanos, não diretamente entre pessoas, e lesões na pele podem aumentar a vulnerabilidade à infecção.

Sintomas e Fases da Leptospirose Os sintomas variam de formas assintomáticas a quadros graves e podem ser divididos em duas fases:

  • Fase Precoce:
    • Febre
    • Dor de cabeça
    • Dor muscular, especialmente nas panturrilhas
    • Perda de apetite
    • Náuseas e vômitos

Outros sintomas podem incluir diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia nos olhos, fotofobia, tosse e manchas vermelhas na pele.

  • Fase Tardia:
    • Síndrome de Weil: icterícia intensa, insuficiência renal e hemorragias
    • Hemorragia pulmonar aguda
    • Comprometimento pulmonar
    • Síndrome da angústia respiratória aguda (SARA)
    • Manifestações hemorrágicas diversas

Cerca de 15% dos casos evoluem para formas graves após a primeira semana de sintomas.

Diagnóstico e Tratamento O diagnóstico é baseado em suspeita clínica e confirmado por testes sorológicos ou detecção direta da bactéria. O tratamento varia de acordo com a gravidade, desde hidratação ambulatorial até hospitalização imediata para casos graves. Antibióticos como doxiciclina, amoxicilina, penicilina e ceftriaxona são usados dependendo da fase da doença.

Prevenção A prevenção envolve evitar contato com águas potencialmente contaminadas, usar equipamentos de proteção e higienizar áreas afetadas com soluções desinfetantes. Em situações de alto risco, como exposição contínua a águas de enchentes, a profilaxia com orientação médica pode ser considerada.

Profilaxia Pós-Exposição Para socorristas e voluntários expostos prolongadamente à água de enchente, a profilaxia com doxiciclina ou azitromicina pode ser indicada, mas deve ser feita sob orientação médica e não substitui outras medidas de prevenção.

É crucial que a profilaxia seja realizada apenas sob orientação médica e não é uma garantia absoluta contra a doença. Mesmo com o uso de medicamentos recomendados, ainda é possível contrair a leptospirose.

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