Águas baixam no Vale do Taquari e revelam cenário de devastação

A região do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, enfrenta uma situação devastadora após os temporais que assolaram o estado nas últimas semanas. O Rio Taquari atingiu uma marca histórica, ultrapassando 30 metros, e as chuvas resultaram em 90 mortes, mais de 130 desaparecidos e 360 feridos. Além disso, 203,8 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas, com 48.147 em abrigos e 155.741 nas casas de familiares ou amigos.

O cenário de destruição é evidente em bairros como o Passo de Estrela, onde 3 mil pessoas residiam em pelo menos 500 casas, mas nenhuma delas permanece em boas condições. A vendedora Ana Paula Silva expressou a angústia de perder sua casa: “Eu tenho minha família, mas eu não tenho mais casa para morar. Eu não tenho como recomeçar, eu não tenho.”

A fisioterapeuta Deisi Maria compartilhou a dificuldade de identificar sua própria casa entre os escombros: “A gente foi passando assim, por cima, e tentando descobrir qual casa era de quem, o que tinha… Mas foi muito difícil, muito difícil.”

As consequências se estendem para serviços essenciais. Mais de 750 mil imóveis estão sem abastecimento de água, o que representa 26% dos clientes da Corsan. Além disso, 270 mil pontos atendidos pela RGE Sul estão sem energia elétrica (8,8% do total de clientes). A situação também afetou as comunicações, com 38 municípios sem sinal de telefone e internet pela Tim, Vivo e Claro.

As rodovias estaduais e federais enfrentam bloqueios, com 99 trechos em 42 rodovias afetados. O aeroporto da capital, Salgado Filho, permanece fechado até pelo menos 30 de maio, enquanto outros aeroportos operam normalmente no estado.

Em relação à educação, algumas escolas estaduais já podem retomar suas atividades, incluindo regiões como Bagé, Bento Gonçalves, Carazinho, Caxias, Cruz Alta, Erechim, Ijuí, Osorio, Palmeiras das Missões, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santana do Livramento, Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, Soledade, Três Passos, Uruguaiana e Vacaria. No entanto, não há previsão de retomada nas escolas estaduais de Canoas, Cachoeira do Sul, Estrela, Gravataí, Guaíba, Porto Alegre e São Leopoldo.

As equipes de resgate continuam trabalhando incansavelmente para ajudar as áreas afetadas pelas enchentes. A Brigada Militar está presente para minimizar a ação de saqueadores e garantir a segurança. O governador Eduardo Leite destacou a necessidade de “administrar o caos”. Importante ressaltar que a Brigada Militar não está realizando fiscalizações em embarcações, cobrando notas fiscais ou impedindo a circulação de alimentos neste momento delicado.

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