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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou nesta quinta-feira (8) que o planeta pode enfrentar o El Niño mais intenso desde 1950. A entidade estima que há quase 100% de chance de o fenômeno atingir seu pico nos próximos meses e permanecer ativo até fevereiro de 2027. Segundo a organização, o oceano de onde o fenômeno retira calor nunca esteve tão quente nas medições.
Entre junho e agosto de 2026, a temperatura das águas do Pacífico equatorial subiu de 1,6°C para 2,5°C acima da média. A previsão é de que o índice chegue a 3,7°C nos últimos meses do ano, o maior valor já registrado. A OMM ressalta que o El Niño não cria calor adicional, mas libera para a atmosfera parte do calor acumulado no oceano, aumentando a possibilidade de ondas de calor extremas.
O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial e ocorre, em geral, a cada dois a sete anos, alternando com períodos neutros e com o La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas. A mudança na temperatura do oceano altera padrões de ventos e chuvas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os principais efeitos costumam ser chuvas mais intensas no Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste.
A combinação entre o El Niño e o aquecimento global também preocupa os especialistas. Segundo dados do Copernicus, da NOAA e da NASA, agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado, com temperatura 1,65°C acima da média. A ONU relaciona o aumento das temperaturas às crescentes emissões de CO₂, principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento.
A OMM prevê chuvas acima da média no Pacífico equatorial central e oriental, além de impactos na Oceania e no sudeste da América do Sul. Também são esperadas mudanças no regime de chuvas em partes da África, Ásia e América do Norte. Já o noroeste da América do Sul, partes da América Central, Caribe e Índia podem enfrentar condições mais secas.
Um estudo do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago estima que os efeitos do El Niño e de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno, até fevereiro de 2027, podem provocar cerca de 451 mil mortes no mundo. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países mais afetados, com uma estimativa de 13,3 mil mortes relacionadas ao fenômeno e a eventos como tempestades, tornados e secas prolongadas.
Fonte: CNN
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