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O governo dos Estados Unidos avalia flexibilizar temporariamente as regras para importação de carne bovina, segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal e pelo site Politico. A proposta prevê a suspensão, por até 200 dias, de restrições aplicadas atualmente às importações do produto.
A medida seria uma tentativa de reduzir os impactos da inflação de alimentos no mercado americano. Segundo relatório de analistas do banco Citi no Brasil, o preço da carne moída nos Estados Unidos acumulou alta de 40% nos últimos cinco anos.
Caso a flexibilização seja confirmada, frigoríficos brasileiros como Minerva, JBS e Marfrig poderão ser beneficiados com o aumento das exportações para o mercado americano.
O sócio da consultoria MB Agro, José Carlos Hausknecht, afirmou que a abertura do mercado americano é considerada importante para o Brasil.
“Essa abertura, para o Brasil, é muito importante”, declarou.
Segundo ele, a proposta pode enfrentar resistência de produtores americanos, principalmente após medidas recentes que flexibilizaram exportações de países como a Argentina.
De acordo com relatório do Citi, a empresa brasileira com maior potencial de ganho é a Minerva, devido ao foco do grupo em exportações. Após a repercussão da notícia, as ações da companhia registraram alta na bolsa brasileira.
Os Estados Unidos lideraram a produção mundial de carne bovina desde a década de 1960, segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA). No entanto, nos últimos anos, o país passou a ampliar as importações para atender o mercado interno.
Enquanto isso, o Brasil assumiu posição de destaque global no setor. Segundo estimativas do USDA, o país se tornou o maior produtor mundial de carne bovina no ano passado.
Analistas apontam que a redução do rebanho americano, atualmente no menor nível em 75 anos, está relacionada a dificuldades climáticas e secas sucessivas em regiões produtoras.
Com menor oferta interna, os Estados Unidos passaram a importar volumes maiores de carne. Em 2021, as importações representavam cerca de 10% do consumo doméstico americano. No ano passado, esse percentual chegou a 20%.
Atualmente, os Estados Unidos utilizam um sistema de cotas para limitar as importações de carne bovina. Até determinado volume, os países exportadores pagam tarifas reduzidas. Após esse limite, é aplicada uma taxa superior a 26%.
O governo americano estuda suspender temporariamente essas restrições.
O Brasil participa da categoria de “outros países”, com limite anual de 65 mil toneladas. Mesmo assim, as exportações brasileiras já vinham ultrapassando esse volume devido à alta demanda no mercado americano.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil exportou 126 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos no ano passado, considerando carnes congeladas, frescas e resfriadas.
Outro fator citado por analistas é a política adotada pela China, principal mercado da carne brasileira. No fim do ano passado, o país asiático anunciou restrições por meio de cotas para proteger produtores locais.
Segundo o Citi, o limite de exportações brasileiras para a China poderá ser atingido ainda neste mês. Com isso, parte da produção poderá ser redirecionada aos Estados Unidos, caso a flexibilização seja confirmada.
Analistas avaliam que o aumento da demanda americana pode reduzir as chances de queda no preço da carne no mercado brasileiro.
Fonte: InfoMoney
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