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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de suspender e determinar o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê provocou forte repercussão política nas redes sociais nos últimos dias.
O caso ganhou destaque após parte de internautas e políticos ligados à direita relacionarem a medida ao histórico de doações feitas pelos donos da empresa à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Nas redes sociais, usuários passaram a defender a marca e questionar a decisão da Anvisa. Algumas publicações sugeriram motivação política por trás da medida adotada pela agência reguladora.
“Estão tentando denegrir a imagem desta empresa por questões políticas. Deram um tiro no pé, agora somos todos Ypê”, escreveu um internauta na rede social X.
Outra publicação afirmou: “Usando produtos Ypê com lote que a Anvisa divulgou estar contaminado há mais de uma semana sem nenhuma intercorrência. A partir de agora até o lava roupas será da Ypê. Cansada de viver nesse país”.
O tema também mobilizou políticos ligados à partidos de direita. Neste sábado (9), o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo incentivando consumidores a comprarem produtos da marca.
“Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram, marca a Ypê”, declarou.
O deputado estadual Lucas Bove também comentou o assunto nas redes sociais e associou a situação à atuação da agência reguladora.
“Seguindo o vídeo do nosso querido Coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo, aqui em casa só produto Ypê, que é gente séria, gente direita, gente bolsonarista e, por isso, está sendo perseguida”, afirmou.
Outro político que se manifestou foi o senador Cleitinho. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar comentou a atuação da Anvisa e mencionou a relação da empresa com a campanha de Bolsonaro.
“Foi um lote que ‘tá’ problema, que tem que ser fiscalizado sim, que a saúde ‘tá’ sempre em primeiro lugar, mas vale com uma coincidência também [sic] que essa empresa, a Ypê, ela doou para a campanha do Bolsonaro. É só uma coincidência?”, declarou.
A Anvisa informou que a decisão foi tomada com base em avaliação técnica de risco sanitário realizada em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
Segundo a agência, inspeções identificaram falhas em sistemas de controle de qualidade e em etapas do processo de fabricação. De acordo com o órgão, as irregularidades comprometem as boas práticas de fabricação e podem representar risco à saúde, incluindo possibilidade de contaminação microbiológica.
A medida atinge detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo. O recolhimento envolve todos os lotes com numeração final 1.
Em um primeiro momento, consumidores foram orientados a interromper imediatamente o uso dos produtos atingidos.
Na sexta-feira (8), a Ypê conseguiu na Justiça a suspensão temporária da decisão da Anvisa até novo pronunciamento da agência reguladora.
Mesmo após a decisão judicial, a Anvisa divulgou comunicado recomendando que os consumidores continuem evitando o uso dos produtos envolvidos na medida.
Entre os itens afetados estão produtos das linhas Lava Louças Ypê, Tixan Ypê e desinfetantes da marca.
Fonte: Metrópoles
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