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O mercado brasileiro de veículos leves iniciou 2026 com desempenho superior ao registrado nos anos anteriores, superando inclusive os níveis observados antes da pandemia. Dados da Bright Consulting apontam que, entre janeiro e abril, foram emplacadas 832.266 unidades, resultado 16,2% maior do que o registrado no mesmo período de 2025, quando o volume chegou a 716.138 veículos.
O número também ultrapassa o total de 803.179 unidades comercializadas nos quatro primeiros meses de 2019, considerado o último ano completo antes da crise sanitária global. Esse marco simboliza, nos indicadores do setor, o encerramento de um ciclo iniciado em 2020, quando a pandemia impactou diretamente a produção industrial e o consumo.
Mudanças no perfil do mercado
Apesar da recuperação, o cenário atual apresenta diferenças em relação ao período pré-pandemia. O volume de vendas tem sido impulsionado principalmente por empresas, locadoras e operadores de frotas, enquanto o perfil do consumidor mudou ao longo dos últimos anos.
Outro destaque é o avanço dos veículos eletrificados, que passaram a ocupar uma participação mais relevante no mercado. Além disso, montadoras chinesas ampliaram sua presença no país, deixando de atuar apenas como coadjuvantes.
Desafios persistem no cenário econômico
O crescimento ocorre em um contexto econômico considerado desafiador para a aquisição de bens duráveis. A taxa básica de juros, a Selic, está em 14,5% ao ano, mesmo após recente redução pelo Banco Central, o que ainda representa um nível elevado para o financiamento de veículos.
Durante o período mais crítico da pandemia, o setor enfrentou paralisação de fábricas, desorganização nas cadeias globais de suprimentos e escassez de componentes, especialmente semicondutores. Esse cenário elevou custos e dificultou o acesso ao carro zero para parte dos consumidores.
Projeções para o restante do ano
As entidades do setor mantêm previsões de crescimento moderado para 2026. A Fenabrave estima alta de 3% nas vendas de veículos novos, com expectativa de 2,77 milhões de unidades comercializadas ao longo do ano, considerando carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Já a Anfavea projeta 2,76 milhões de emplacamentos de veículos leves e pesados, o que representa um avanço de 2,7% em relação a 2025.
O desempenho registrado até abril posiciona o mercado em uma situação mais favorável do que a prevista no início do ano. Ainda assim, a continuidade desse ritmo de crescimento ao longo de 2026 permanece em aberto.
Fonte: UOL Notícias
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