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Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Opep a partir de 1º de maio, encerrando uma participação de cerca de seis décadas. A decisão também inclui a saída da aliança Opep+, que reúne grandes produtores globais.
A Opep foi criada em 1960 por Arábia Saudita, Venezuela, Irã, Iraque e Kuwait, em resposta à queda dos preços do petróleo imposta pelas grandes petrolíferas internacionais conhecidas como “Sete Irmãs”. O objetivo do grupo é coordenar as políticas petrolíferas entre os membros e proteger as receitas provenientes da exportação.
Atualmente, a organização conta com 12 países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, além de nações como Argélia, Nigéria, Líbia, Guiné Equatorial, Congo e Gabão.
Já a Opep+ surgiu em 2016, reunindo os integrantes do grupo e outros dez produtores, entre eles o Brasil, sob liderança da Rússia. O comitê responsável pelo monitoramento do mercado se reúne regularmente para avaliar o cenário energético global.
O governo emiradense afirmou que a decisão está baseada em “interesses nacionais” e no compromisso de responder às demandas do mercado diante de um cenário de instabilidade geopolítica.
O ministro da Energia e Infraestrutura, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei, declarou que a medida “reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado no longo prazo”.
A saída ocorre em meio ao conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz e em ataques a instalações energéticas.
De acordo com a própria Opep, a produção do grupo caiu quase 8 milhões de barris por dia em março, uma redução de 27,5% em relação ao mês anterior, em consequência direta do conflito.
Além disso, autoridades dos Emirados demonstraram insatisfação com a postura de países vizinhos do Golfo. O assessor diplomático Anwar Gargash criticou o posicionamento do Conselho de Cooperação do Golfo, afirmando que, apesar do apoio logístico, a atuação política e militar foi considerada fraca.
Especialistas apontam que a decisão também tem caráter político. Segundo o analista Marc Ayoub, “Isso mostra que os Emirados não estão satisfeitos com a liderança da Opep. É um recado para a Arábia Saudita e um indicador do estado das relações saudita-emiradenses, seja no campo político ou econômico, especialmente nas questões de energia.”
Com a saída, os Emirados não precisarão mais seguir as cotas de produção estabelecidas pela Opep, o que pode permitir o aumento das exportações de petróleo no futuro. Esse movimento pode influenciar os preços em um mercado já pressionado pelas tensões no Golfo e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
A decisão também representa um desafio para a Arábia Saudita, principal potência dentro da organização. Com a saída dos Emirados, o país passa a ser o único membro com grande capacidade de ampliar a produção.
Nos últimos anos, outros países também deixaram o grupo, como o Catar, em 2019, além de Angola e Equador em períodos mais recentes.
Autoridades emiradenses indicaram que o país continuará atuando de forma responsável no mercado, com aumento gradual da produção e foco na segurança energética. Antes do conflito, os Emirados produziam cerca de 3,4 milhões de barris por dia e possuem reservas estimadas em até 113 bilhões de barris, uma das maiores do mundo.
Segundo Marc Ayoub, os efeitos da decisão tendem a ser mais significativos no longo prazo. “Não terá um grande impacto nos mercados no curto prazo, porque o Estreito de Ormuz está fechado. Mas, no futuro, assim que as exportações se normalizarem, os Emirados Árabes Unidos poderão levar muitos barris ao mercado sem restrições”, afirmou.
Fonte: G1
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