Arquivo Público resgata história dos povos indígenas originários do Planalto da Conquista

O Arquivo Público Municipal promove um resgate histórico sobre os povos indígenas que habitaram a região do Vitória da Conquista. A iniciativa ocorre no contexto das reflexões do Dia do Índio e destaca a presença de diferentes etnias no território conhecido como Sertão da Ressaca.

Entre os povos que viviam na região estão os Mongoiós, também chamados de Camacans, os Ymborés, conhecidos como Botocudos, e os Pataxós. Durante o período da colonização portuguesa, diversas etnias ocuparam o território, muitas delas vindas do litoral em razão da perseguição promovida por colonizadores.

Chefe de Botocudos lidera sua família/Reprodução

Origem e ocupação do território

O termo Sertão da Ressaca está associado tanto ao avanço das águas dos rios sobre a região quanto à palavra “ressaco”, que descreve uma área cercada por serras e vegetação baixa.

De acordo com registros históricos, como os apresentados pelo professor e memorialista José Mozart Tanajura na obra História de Conquista: crônica de uma cidade, o sertanista João Amaro liderou expedições voltadas à abertura de caminhos e ao aprisionamento de indígenas, principalmente na região de Ilhéus.

Em 1693, ele conduziu uma incursão para ocupar terras indígenas na Bahia, estabelecendo rotas que conectavam diferentes regiões, passando por importantes rios do estado.

Conflitos e resistência indígena

Os Mongoiós habitavam áreas do alto Jequitinhonha antes de serem deslocados por bandeirantes paulistas liderados por João Amaro. Registros indicam que, no início do século 19, havia diversas aldeias Mongoiós às margens dos rios de Contas e Pardo, somando milhares de habitantes, além de outros grupos presentes em povoados da região.

A ocupação do Sertão da Ressaca ocorreu por meio de confrontos com povos indígenas. O território dos Ymborés foi um dos primeiros alvos das expedições lideradas pelo bandeirante João Gonçalves da Costa, que avançou sobre a região. Os Ymborés resistiram à invasão, mas acabaram sendo escravizados.

Posteriormente, os Pataxós também enfrentaram ataques e buscaram refúgio no sul da Bahia, onde permanecem até os dias atuais, ainda que em menor número.

Indígena Mongoió/Reprodução

Alianças e disputas

Os Mongoiós, em determinado momento, se aliaram aos colonizadores portugueses na disputa contra outros povos indígenas. Após a ocupação dos territórios, no entanto, também foram submetidos à escravidão e forçados a trabalhar na abertura de estradas e derrubada de matas.

Com a percepção desse cenário, os Mongoiós organizaram uma reação. Em 1752, ocorreu um dos episódios mais conhecidos desse período, denominado “Banquete da morte”, que envolveu confronto entre indígenas e soldados liderados por João Gonçalves.

Relatos históricos apontam que, antes da batalha, teria sido feita uma promessa religiosa em troca de vitória, embora não haja confirmação documental sobre esse episódio. Após o confronto, os indígenas Mongoiós foram cercados e mortos em uma emboscada na região onde posteriormente foi construída uma igreja, demolida em 1932.

João Gonçalves da Costa/Reprodução

A iniciativa do Arquivo Público Municipal reforça a importância de preservar e divulgar a memória dos povos originários, destacando os processos históricos que marcaram a formação do território conquistense.

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