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A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate em Brasília, com a apresentação de propostas que tratam da redução da jornada de trabalho no país.
Atualmente, a jornada semanal é de 44 horas. No entanto, três textos em tramitação no Congresso Nacional propõem mudanças nesse modelo, com diferentes formatos e prazos de implementação.
Na terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso um projeto de lei que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais e limite de 8 horas por dia, sem redução salarial.
O texto também sugere a substituição da escala 6×1 por um modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso, com preferência para folgas aos fins de semana. A proposta tramita em regime de urgência, com prazo de até 45 dias para análise em cada Casa legislativa.
Além do projeto do governo, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) tratam do mesmo tema.
A proposta da deputada Erika Hilton prevê jornada de 36 horas semanais, com possibilidade de adoção de uma semana de quatro dias de trabalho, a ser implementada em até um ano.
Já a proposta do deputado Reginaldo Lopes também estabelece jornada de 36 horas semanais, mas com prazo de transição de até 10 anos.
Por alterarem a Constituição, essas propostas exigem maior quórum para aprovação, enquanto o projeto do governo altera a legislação infraconstitucional e depende de maioria simples.
As PECs começaram a ser analisadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O relator Paulo Azi apresentou parecer favorável à admissibilidade dos textos.
Após a leitura do relatório, o deputado Lucas Redecker pediu mais tempo para análise, o que adiou a votação. A expectativa é que a apreciação seja retomada em até 15 dias.
Caso aprovadas na CCJ, as propostas seguem para uma comissão especial, onde o mérito será debatido.
Entre os temas analisados estão a definição da carga horária semanal, possíveis regras de transição e mecanismos para mitigar impactos econômicos.
O relator sugeriu que a jornada possa convergir para 40 horas semanais, alinhando-se à proposta do governo, além de destacar a necessidade de discutir compensações fiscais e efeitos sobre a Previdência.
Também foi levantada a possibilidade de adoção gradual da mudança, com base em experiências internacionais.
Representantes do setor produtivo apontam que a redução da jornada pode elevar custos operacionais e impactar a competitividade das empresas.
Já o relatório destaca que a diminuição da carga horária pode contribuir para a saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores, além de favorecer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
O documento também menciona possíveis efeitos no mercado de trabalho, incluindo mudanças nos custos de contratação e impactos na geração de empregos.
As propostas em análise têm naturezas distintas. As PECs alteram a Constituição e exigem aprovação mais rigorosa, com três quintos dos votos no Congresso.
Já o projeto de lei enviado pelo governo altera normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pode ser aprovado por maioria simples.
Fonte: G1
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