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Pesquisadores brasileiros desenvolveram um exame de sangue capaz de identificar o câncer de mama em estágios iniciais por meio da análise de sinais moleculares. Batizado de RosalindTest®, o método é fruto de mais de uma década de estudos conduzidos em parceria entre a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e a empresa de biotecnologia LiqSci.
A tecnologia se baseia na detecção de alterações no metabolismo das células cancerosas por meio de biomarcadores presentes no sangue. “Estudando o metabolismo da célula cancerosa, verificamos a possibilidade de detectar precocemente a alteração desse metabolismo através de biomarcadores”, afirmou Fernando Luiz Affonso Fonseca, cientista-chefe e cofundador da LiqSci.
O exame já está sendo aplicado em mutirões organizados por empresas privadas, seguindo as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, ainda não está disponível diretamente ao público. Segundo Thiago Sakamoto, cofundador da LiqSci, o objetivo é viabilizar sua inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). “Ainda não estamos ofertando o exame diretamente para o consumidor. Mas nossa missão é fazer com que ele seja incluído no SUS, para que toda a população tenha acesso”, disse.
Entre os diferenciais do RosalindTest® está a facilidade de aplicação, já que a coleta pode ser realizada em diferentes contextos, inclusive em regiões com menor infraestrutura de saúde.
O teste não substitui a mamografia, sendo indicado como método complementar, principalmente para mulheres a partir dos 40 anos — embora possa ser utilizado em qualquer idade como forma de prevenção. A detecção precoce é um fator determinante para o aumento das chances de cura.
O nome do exame homenageia Rosalind Franklin, cientista britânica reconhecida por sua contribuição para a compreensão da estrutura do DNA.
Os estudos iniciais envolveram 150 mulheres, sendo 125 com diagnóstico de câncer de mama e 25 sem a doença, evidenciando diferenças relevantes nos biomarcadores GLUT. Posteriormente, o teste foi validado em pesquisas clínicas que reuniram cerca de 1,2 mil participantes, incluindo mulheres de áreas rurais de São Paulo e Ceará.
De acordo com os pesquisadores, o RosalindTest® apresentou precisão de 95% na detecção precoce da doença. “Em nossos estudos, percebemos que, se detectássemos essa mudança celular no sangue periférico, poderíamos detectar a doença de maneira precoce”, concluiu Fonseca.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, sendo o câncer de mama responsável por aproximadamente 78 mil casos anuais, o equivalente a 30% do total.
Fonte: Só Notícia Boa
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