Alta do diesel entra na mira da PF e aumenta risco de greve de caminhoneiros

O avanço no preço do diesel no país levou a Polícia Federal a instaurar um inquérito para apurar suspeitas de cartel e reajustes considerados injustificados no setor de combustíveis. A investigação busca identificar se há coordenação entre redes de postos para manter valores elevados ao consumidor.

Paralelamente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensificou a fiscalização em parceria com Procons estaduais. A operação alcançou 42 postos em dez unidades da federação, distribuídos em 22 cidades, além de uma distribuidora. O foco é garantir que reduções aplicadas nas refinarias cheguem ao consumidor final.

Dados recentes da ANP apontam que o preço médio do diesel subiu 11,8% em apenas uma semana, enquanto a gasolina teve alta de 2,5%. Durante as ações de fiscalização, foi identificado, em um dos estabelecimentos, aumento indevido de R$ 2 por litro de diesel, além de indícios de paralelismo de preços entre postos de uma mesma região.

A alta nos combustíveis provocou reação imediata entre caminhoneiros. Lideranças da categoria já alertaram o governo federal sobre a possibilidade de paralisação nacional nos próximos dias, movimento que conta com apoio da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB). Segundo os trabalhadores, o custo operacional da atividade se tornou insustentável.

O cenário de incerteza também impactou o mercado financeiro, especialmente na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa de juros. Investidores demonstram preocupação com possíveis efeitos inflacionários de uma eventual greve.

O chefe da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Ricardo Morishita, apresentou balanço da operação em coletiva realizada na terça-feira (17). Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, evitou comentar possíveis medidas diante do cenário. “Trabalhar com hipóteses não seria adequado e nem prudente”, afirmou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que “não há motivos” para paralisação e destacou ações do governo, como a retirada de impostos federais e a criação de subsídios para conter os preços. “Foram feitas duas medidas. Retirou todo o imposto federal, que era o PIS e COFIS. Zerou e ainda está dando uma subvenção para evitar o efeito do preço. E você não tem o condão de parar a guerra. O que você pode fazer é minimizar o impacto. Então, as duas preocupações estão sendo atuadas”, detalhou.

Na semana passada, o governo federal anunciou medidas para aliviar o setor, incluindo a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, subsídios e novas regras de fiscalização. Ainda assim, caminhoneiros afirmam que os efeitos não chegaram ao consumidor final e criticam a eficácia das ações, especialmente após reajuste anunciado pela Petrobras.

Fonte: CNN

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