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O governo do Paquistão confirmou ter realizado bombardeios aéreos contra Cabul, capital do Afeganistão, na madrugada desta sexta-feira (27). A ofensiva marca o início do que o Ministério da Defesa paquistanês classificou como uma “guerra aberta” entre os dois países, consolidando o incidente mais grave desde a retomada do poder pelos talibãs em agosto de 2021.
De acordo com o porta-voz paquistanês para a imprensa estrangeira, Mosharraf Zaidi, as operações atingiram alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar. O balanço divulgado por Islamabad indica a morte de 133 talibãs e mais de 200 feridos, além da destruição de 27 postos afegãos e a captura de outros nove.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarou em rede social que a paciência do país se esgotou após tentativas de diplomacia direta e mediada por nações aliadas. “A partir de agora, estamos em guerra aberta. Os talibãs se tornaram um representante da Índia”, justificou o ministro, sugerindo uma interferência externa no comportamento do país vizinho.
Por outro lado, o principal porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou os ataques à capital afegã, mas negou a existência de vítimas fatais. Mujahid classificou o Exército paquistanês como “covarde” e afirmou que as forças afegãs já iniciaram operações de retaliação contra posições militares paquistanesas nas regiões de Kandahar e Helmand.
O conflito intensificou-se drasticamente desde a última quinta-feira (26), com combates noturnos ao longo da Linha Durand, a fronteira que divide as duas nações. A ofensiva paquistanesa ocorre cinco dias após uma série de incursões aéreas que, segundo Cabul, vitimaram 17 civis na semana passada.
Islamabad, contudo, defende que aquelas operações tinham como alvo insurgentes do grupo Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), que utilizariam o solo afegão como base para ataques em território paquistanês.
Enquanto o Paquistão acusa o regime talibã de fornecer refúgio a grupos terroristas, o governo afegão rejeita sistematicamente tais afirmações e denuncia o que considera uma violação de sua soberania nacional. Antes do anúncio da “guerra aberta” nesta sexta-feira, o Talibã afirmou ter encerrado uma contraofensiva que teria resultado na morte de 55 soldados paquistaneses e na captura de 19 postos e duas bases militares.
A escalada atual reflete o pico de violência nas zonas fronteiriças, que tem aumentado de forma contínua nos últimos anos, levando as relações diplomáticas entre Islamabad e Cabul ao colapso total.
Fonte: PlenoNews
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