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A Westpfälzischen Sinfonieorchester (WSO), instituição musical fundada em 1889 na região da Renânia-Palatinado, anunciou um marco histórico em sua trajetória de 130 anos: a chegada da maestra teuto-brasileira Andréa Huguenin Botelho como sua nova regente titular. Botelho sucede Thomas Germain, que liderou o conjunto por mais de duas décadas, e torna-se a primeira mulher a assumir o posto na história da orquestra.
Nascida no Rio de Janeiro e radicada na Europa há mais de 20 anos, Andréa Botelho possui uma carreira consolidada como pianista, pesquisadora e compositora. Sua escolha ocorreu por meio do tradicional processo de seleção alemão (Probe Dirigat), no qual os próprios músicos, em assembleia interna, decidiram pela sua contratação após ensaios com a obra As Hébridas, de Mendelssohn. Segundo a administração da WSO, a maestra destacou-se pela clareza de sua concepção musical e pela experiência intercultural.
A atuação da orquestra está centrada na cidade de Kusel, região conhecida como Pfälzer Musikantenland (Terra dos Musicantes). Andréa Botelho pretende utilizar sua titularidade para revitalizar essa identidade histórica, que remonta aos séculos XVIII e XX, quando a região era um polo exportador de músicos profissionais para o mundo, inclusive para o Brasil.
Além do resgate local, um dos pilares do projeto artístico da brasileira é a correção de lacunas históricas de gênero. Ao pesquisar os arquivos da instituição, Botelho constatou que apenas uma obra de compositora havia sido executada em toda a história da orquestra.
“Quem trabalha com a temática mulheres e música não fica muito contente em saber que é a primeira, porque isso mostra que essa lacuna ainda existe”, pontuou a maestra. Ela estabeleceu como diretriz que nenhum concerto sob sua regência será apresentado sem obras de compositoras no programa.
Especialista em repertórios de compositoras invisibilizadas, Andréa integra o conselho do arquivo Frauen und Musik, em Frankfurt, e é a fundadora da Brasil Orchester Berlin, a primeira orquestra sinfônica na Alemanha dedicada integralmente à música brasileira. Sua formação inclui estudos com regentes renomados, como Kurt Masur e Jorma Panula, o que moldou sua visão de orquestra como um “grande grupo de câmara”, focado na integração entre cordas e sopros.
A administração da Westpfälzischen Sinfonieorchester encara a transição como um ciclo de renovação natural. Embora reconheçam o ineditismo de uma mulher no cargo, afirmam que a posição “deveria ser algo natural”.
O concerto de estreia oficial de Andréa Huguenin Botelho à frente da WSO está marcado para o dia 21 de junho. O evento simboliza o início de um trabalho de longo prazo que busca equilibrar a tradição sinfônica alemã com uma visão contemporânea e diversificada da prática musical.
Fonte: maisberlim
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