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Após 25 anos de investigação científica, pesquisadores brasileiros alcançaram um marco histórico na medicina regenerativa: um tratamento experimental capaz de devolver movimentos a pessoas com lesão completa da medula espinhal. O estudo, que teve origem na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1999, utiliza uma proteína extraída da placenta humana para promover a reconstrução do sistema nervoso.
O método baseia-se na polilaminina, uma versão laboratorial da laminina, proteína que guia o crescimento dos neurônios durante o desenvolvimento embrionário. Na vida adulta, o organismo reduz drasticamente a produção dessa substância, o que impede a regeneração natural do sistema nervoso central após traumas. Ao aplicar a polilaminina diretamente no local da lesão, os cientistas recriam o ambiente biológico necessário para que os neurônios voltem a crescer, atravessem a área lesionada e restabeleçam conexões elétricas interrompidas.
Um dos resultados práticos mais impactantes do estudo é o do bancário Bruno Drummond de Freitas. Em 2018, Bruno sofreu um grave acidente de carro que resultou no esmagamento completo de parte da medula cervical, deixando-o tetraplégico.
“Acordei pós-cirurgia sem fazer movimento algum. Braço, dedos, pernas, quadril, abdômen, nada mexia”, relatou o bancário. Sem saber que sua família havia autorizado o procedimento experimental, ele começou a notar os primeiros sinais de recuperação duas semanas após a cirurgia, ao conseguir mexer o dedo do pé.
Com o suporte de fisioterapia e reabilitação intensiva, o restabelecimento das conexões nervosas permitiu que Bruno recuperasse a mobilidade total, ainda que com limitações. “Hoje em dia, consigo me movimentar inteiro. Consigo levantar, consigo andar, dançar, voar. Isso me garantiu minha independência”, afirmou.
Diferente de outros tecidos do corpo, o sistema nervoso central possui baixa capacidade de regeneração. O tratamento brasileiro inova ao criar uma “malha” biológica que orienta os neurônios a se reconectarem. Segundo os pesquisadores, os melhores resultados são observados quando a intervenção ocorre pouco tempo após o trauma, antes da consolidação total da cicatriz medular.
Embora os resultados em humanos e animais sejam promissores, o tratamento encontra-se atualmente na fase de testes clínicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha o processo e aguarda a análise de mais casos para atestar a segurança definitiva dos pacientes antes de uma possível liberação ampla do procedimento.
A descoberta reforça o papel da ciência nacional na busca por soluções para condições anteriormente consideradas irreversíveis, oferecendo uma nova perspectiva de autonomia para milhares de pessoas com deficiência motora.
Fonte: Brasil Paralelo
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