Douglas Rocha Almeida, de 31 anos, tomou posse como terceiro-secretário da carreira de diplomata do Ministério das Relações Exteriores e passou a integrar o quadro permanente do Itamaraty. Filho de mãe diarista e pai pedreiro, ele construiu a trajetória conciliando trabalho e estudos até ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata.
Natural de Luziânia, em Goiás, Douglas ingressou aos 15 anos no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, em Brasília. No mesmo período, começou a estagiar no Ministério da Fazenda. A bolsa de R$ 290 era utilizada principalmente para custear o transporte até o Plano Piloto. Inicialmente, atuou no almoxarifado e, depois, foi promovido para a área de tecnologia da informação, experiência que despertou seu interesse pelo funcionamento do Estado e pelas carreiras públicas.
Durante o ensino médio, passou a considerar a possibilidade de cursar uma universidade. A renda familiar variava conforme a quantidade de serviços realizados pela mãe, dona Cida, como diarista. Para complementar o orçamento, Douglas trabalhou em uma casa de festas nos fins de semana, exercendo diferentes funções.
Em 2014, obteve bolsa integral do Programa Universidade para Todos para cursar Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília e, simultaneamente, iniciou Letras – Espanhol na Universidade de Brasília. Para arcar com os custos de deslocamento entre o Entorno e o Distrito Federal, trabalhou como garçom e, em determinado período, atuou como tradutor de livros acadêmicos.
Durante a graduação, passou a compreender melhor a carreira diplomática. A partir de 2017, a diplomacia começou a se consolidar como objetivo profissional, apesar das dificuldades financeiras e da complexidade do concurso. Em 2018, concluiu mais duas graduações e buscou formação complementar.
Após se formar, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar mestrado na Escola Superior de Guerra. Chegou à cidade com recursos limitados e enfrentou dificuldades até conseguir apoio financeiro que permitiu concluir os estudos.
Os estudos para o concurso do Instituto Rio Branco começaram em 2021. Após reprovações sucessivas, a mudança ocorreu com a concessão de uma bolsa-prêmio de vocação para a diplomacia, destinada a candidatos negros. Com o auxílio de R$ 30 mil, Douglas conseguiu se dedicar integralmente à preparação.
Em 2025, já morando no Paraná e trabalhando remotamente, foi aprovado entre os 50 candidatos selecionados, em um universo de 8.861 inscritos. A nomeação ocorreu em dezembro, confirmando o ingresso no Itamaraty. Douglas afirmou que sua prioridade agora é proporcionar mais tranquilidade à mãe, com a intenção de afastá-la do trabalho pesado como diarista.
Fonte: Só noticia boa






