Após captura de Maduro, Delcy Rodríguez assume protagonismo no centro da crise venezuelana

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada nas primeiras horas de sábado (3), colocou a vice-presidente Delcy Rodríguez no centro da mais grave crise política recente da Venezuela. Com Maduro fora de cena, o papel de Delcy deixa de ser apenas institucional e passa a ser decisivo na definição dos próximos rumos do país.

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a operação militar foi “de larga escala” e resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido retirados do território venezuelano. Trump afirmou que não há intenção de uma invasão ampla, mas que Washington pretende “controlar a situação” e administrar a transição, mencionando conversas diretas com a atual vice-presidente. “Acabei de ter uma conversa com ela. Ela está disposta a fazer o que for necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, declarou.

O governo venezuelano reagiu decretando estado de emergência, classificando a ação como “agressão militar” e convocando uma mobilização nacional. Pela Constituição do país, em caso de ausência definitiva do presidente, cabe à vice assumir interinamente, o que coloca Delcy Rodríguez como sucessora imediata. Ainda assim, Trump afirmou que os Estados Unidos assumirão o controle do país, elevando o nível de tensão institucional e diplomática.

Quem é Delcy Rodríguez
Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas, em 18 de maio de 1969. Advogada formada pela Universidade Central da Venezuela, tem pós-graduação em Paris e Londres. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista morto em 1976 sob custódia policial, cresceu em um ambiente fortemente politizado. É irmã de Jorge Rodríguez, ex-vice-presidente e um dos principais articuladores do chavismo.

Delcy ingressou na administração pública em 2003, no governo Hugo Chávez, e construiu uma trajetória contínua no núcleo do poder. Ocupou cargos estratégicos, como vice-ministra para Assuntos Europeus, ministra de Assuntos Presidenciais, ministra da Comunicação, chanceler, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e, desde 2018, vice-presidente executiva — cargo contestado pela oposição entre 2019 e 2023. Entre 2024 e 2025, acumulou também os ministérios do Petróleo e da Economia, concentrando controle sobre a principal fonte de receitas do país.

Perfil e reação
Conhecida pelo discurso combativo, Delcy critica sanções internacionais e medidas que, segundo ela, comprometeram a renda nacional, como a apreensão de navios petroleiros e a venda forçada da Citgo. Desde 2018, é alvo de sanções impostas por EUA, União Europeia, Canadá, México e Suíça.

Após o anúncio da captura de Maduro, Delcy exigiu “prova de vida” do presidente e de Cilia Flores, convocou as Forças Armadas e pediu mobilização popular contra a intervenção estrangeira. Enquanto Washington sinaliza interlocução com a vice-presidente, o futuro político da Venezuela permanece indefinido e sob forte tensão.

Fonte: Brasil Paralelo

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