A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o escudo protetor instalado no local do desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, não consegue mais cumprir sua função de confinar resíduos radioativos. O órgão da ONU declarou que a estrutura foi “severamente danificada” após um ataque de drone realizado em fevereiro deste ano.
O Novo Confinamento Seguro (NSC), estrutura de aço construída para cobrir o reator nº 4 destruído no acidente de 1986, sofreu danos significativos no revestimento protetor, provocando um incêndio e comprometendo suas principais funções de segurança. A Ucrânia atribuiu o ataque à Rússia, acusação negada pelo Kremlin.
Segundo a AIEA, a perda da capacidade de confinamento torna necessária uma reforma abrangente e urgente da estrutura. Reparos temporários foram feitos no teto, mas não são suficientes para garantir a proteção a longo prazo. O diretor-geral da agência, Rafael Mariano Grossi, destacou que, apesar dos danos, as estruturas de sustentação e os sistemas de monitoramento não sofreram prejuízos permanentes.
A AIEA mantém presença contínua no local e afirmou que continuará apoiando os esforços para restaurar totalmente a segurança nuclear. A instalação tem sido alvo de tensão desde o início da guerra na Ucrânia. Em 2022, forças russas ocuparam temporariamente Chernobyl e mantiveram funcionários sob controle por mais de um mês, antes de devolverem o local às autoridades ucranianas.
O NSC, concluído em 2019 após um projeto iniciado em 2010, é considerado a maior estrutura móvel terrestre do mundo. Com custo de € 2,1 bilhões, financiado por mais de 45 países e organizações, foi projetado para durar 100 anos e permitir operações seguras de limpeza do reator destruído.
O desastre de 26 de abril de 1986 permanece o pior acidente nuclear da história. A explosão do reator nº 4 espalhou radiação por áreas da Ucrânia, Belarus e Rússia, com mais de 30 mortes imediatas e impactos de longo prazo ainda registrados, incluindo elevados índices de câncer e defeitos congênitos nas regiões afetadas.
Fonte: CNN






