Avanço da doença de Chagas expõe falhas no diagnóstico e falta de tratamento adequado

A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e transmitida principalmente pelo barbeiro, continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública nas Américas. Embora o Brasil tenha controlado a transmissão aguda em grande parte do país, um novo relatório mostra que o número de casos crônicos sem diagnóstico e tratamento ainda é muito elevado.

Até 2023, o Ministério da Saúde registrou 17.049 casos crônicos no Sinan, mas pesquisadores afirmam que o número real é muito maior. Um estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases estima que 10,5 milhões de pessoas conviviam com a doença no mundo em 2023 e quase 4 milhões estavam no Brasil.

A dificuldade de diagnóstico está ligada ao fato de que a fase inicial da doença pode ser confundida com infecções comuns, como febre, mal-estar e dor de cabeça. Sinais típicos, como o sinal de Romaña (inchaço no olho) e o chagoma de inoculação (lesão na pele), nem sempre são reconhecidos por profissionais pouco familiarizados com doenças tropicais. Sem tratamento rápido, muitos pacientes evoluem para a fase crônica, que pode causar problemas cardíacos graves, megacólon e megaesôfago.

O diagnóstico é feito por exames de sangue que detectam anticorpos contra o parasita ou, nos casos mais sensíveis, por PCR, disponível apenas em laboratórios especializados. O tratamento continua sendo o benznidazol, fornecido pelo SUS, eficaz inclusive na fase crônica assintomática.

A doença também tem avançado para outros continentes. Barbeiros infectados já foram encontrados em 32 estados do sul dos EUA, e casos têm surgido na Europa, Ásia e Oceania. Entre os fatores que favorecem essa expansão estão mudanças climáticas, desmatamento, urbanização desordenada e fluxos migratórios.

No Brasil, políticas habitacionais e vigilância epidemiológica foram decisivas para reduzir a presença do barbeiro em casas. Especialistas reforçam a importância de manter quintais limpos, evitar acúmulo de entulhos e notificar a presença de insetos vetores, medidas que também ajudam a prevenir outras doenças transmitidas por insetos.

Fonte: CNN

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