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A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, encerra uma crise que vinha se agravando há anos. A medida foi acompanhada da prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, e de diretores envolvidos em um esquema de fraudes financeiras.
Crise prolongada e tentativas de venda frustradas
O Master já operava sob risco de falência devido ao alto custo de captação e à aposta em investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do mercado.
Negociações para a venda, como a proposta do BRB, avaliada em cerca de R$ 2 bilhões, não avançaram por falta de transparência, pressões políticas e investigações em andamento.
Mesmo com uma linha emergencial de R$ 4 bilhões do FGC e tentativas de vender o Will Bank, a situação financeira continuou piorando.
CDBs com juros “impossíveis”
A confiança no banco desabou quando os CDBs do Master passaram a oferecer remunerações muito acima do padrão, chegando a 177% do CDI.
Com a desconfiança do mercado, investidores tentaram vender esses títulos, mas encontraram poucos compradores. As taxas subiram de forma anormal para atrair interessados, refletindo a dificuldade do banco em honrar compromissos.
Fraudes e créditos inexistentes
Investigações da Polícia Federal apontam que o Master teria emitido R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar liquidez futura.
Para mascarar a situação, o banco usou créditos falsos da empresa Tirreno e os revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação adequada, operação feita no mesmo período em que o BRB tentava comprar o Master.
O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões, segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Durante buscas, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um dos investigados.
O que acontece com o banco agora
Com a liquidação, todas as operações foram interrompidas e um liquidante nomeado pelo BC passa a administrar o processo.
Todos os bens dos controladores ficam indisponíveis e uma investigação própria do BC será aberta. Os envolvidos podem responder por gestão fraudulenta, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
E os clientes?
O banco está “congelado”: saques, transferências e pagamentos ficam suspensos.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos até a data da liquidação, para produtos como CDBs, LCIs, LCAs, poupança e depósitos.
Valores acima desse teto entram na lista de credores da massa falida, processo mais longo.
Fundos de investimento seguem normalmente, apenas com troca de administrador.
Quem tem dívidas com o Master continua obrigado a pagar, e as parcelas devem ser quitadas normalmente.
Fonte: G1
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