Vaticano reafirma que Maria não é “corredentora” e encerra debate sobre novo dogma mariano

O Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano concluiu que a Virgem Maria não pode ser considerada “corredentora” nem partilhar com Jesus Cristo o poder de salvar a humanidade do pecado. A decisão, apresentada nesta terça-feira (4) pelo cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, prefeito do órgão, encerra décadas de debate teológico sobre a possibilidade de um novo dogma mariano.

O documento, intitulado Mater Populi Fidelis, analisa os diversos títulos atribuídos a Maria e esclarece que ela não pode ser definida como “redentora”, “mediadora” ou fonte de graças. Segundo o texto, a utilização do termo “corredentora” é considerada “inoportuna”, pois poderia obscurecer “a única mediação salvífica de Cristo” e gerar “confusão e desequilíbrio nas verdades da fé cristã”.

O Dicastério reforça ainda que, “em sentido estrito, não se pode falar de outra mediação na graça que não seja a do Filho de Deus encarnado”, afastando, portanto, a possibilidade de reconhecer Maria como mediadora da salvação. O texto explica que o papel da Virgem deve ser compreendido como “dispositivo”, no sentido de preparar espiritualmente os fiéis para receber a graça divina, que só o Senhor pode conceder.

A questão da “corredenção” de Maria é discutida há anos entre teólogos e mariólogos, especialmente em setores mais conservadores da Igreja, que defendem a proclamação de um novo dogma. Atualmente, a Igreja reconhece quatro dogmas marianos: a Imaculada Conceição, a virgindade perpétua, a maternidade divina e a Assunção de Maria aos céus.

Embora o papa João Paulo II tenha se referido algumas vezes a Maria como “corredentora”, Bento XVI evitou o tema, e o papa Francisco, em uma homilia de 2019, chegou a afirmar que discussões sobre novos dogmas “não passam de bobagens”.

Mesmo após a negativa expressa em 1996 por uma comissão teológica no XIII Congresso Mariológico Internacional, na Polônia, pedidos continuaram sendo encaminhados ao Vaticano. Entre eles, um documento apoiado por 570 bispos de 79 países e milhões de fiéis leigos, reunidos na campanha Vox Populi Mariae Mediatrici.

Com a publicação de Mater Populi Fidelis, o Vaticano reforça a centralidade de Cristo na obra da Redenção e põe fim à possibilidade de reconhecimento de Maria como “corredentora”, reafirmando seu papel único como Mãe de Deus e figura de intercessão espiritual, mas não redentora.

Fonte: PlenoNews

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