O consumo de álcool afeta diversos órgãos, mas o fígado é o mais prejudicado, já que é o principal responsável por metabolizar o etanol. Segundo especialistas, qualquer período de abstinência traz benefícios, inclusive para quem já tem lesões avançadas, como cirrose.
Em apenas 24 horas sem álcool, o fígado inicia um processo de reparação celular, restabelecendo parte do equilíbrio químico e retomando funções básicas como o armazenamento de glicose e a eliminação de substâncias tóxicas. Mesmo sem sintomas perceptíveis, essa regeneração começa de forma silenciosa.
Após uma semana, exames laboratoriais já podem indicar melhora, com redução de inflamação e da gordura acumulada. Em até 30 dias sem beber, o órgão tende a eliminar o excesso de gordura, normalizar enzimas hepáticas e recuperar parte da capacidade metabólica, reduzindo também a pressão arterial e melhorando o sono.
Os médicos alertam que não existe consumo de álcool livre de risco. O hepatologista Guilherme Grossi, da UFMG, destaca que “o perigo começa no primeiro gole e aumenta conforme a frequência e a quantidade ingerida”.
No entanto, pessoas com dependência alcoólica devem buscar orientação médica antes de interromper o uso, devido ao risco da síndrome de abstinência, que pode causar tremores, convulsões e até alucinações.
Estudos mostram que mesmo pequenas doses aumentam o risco de cirrose, fibrose e câncer hepático. Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), cerca de 23,6 milhões de pessoas no mundo têm cirrose relacionada ao álcool e a maioria dos casos ainda é subdiagnosticada.
Fonte: G1






