Primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, renuncia após 27 dias no cargo e aprofunda crise política

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, apresentou sua renúncia nesta segunda-feira (6), apenas 27 dias após assumir o cargo, tornando-se o chefe de governo mais breve desde a criação da Quinta República, em 1958. A decisão foi aceita pelo presidente Emmanuel Macron, que agora enfrenta um novo impasse político em meio à instabilidade que atinge o país há mais de um ano.

A saída de Lecornu ocorre horas depois de anunciar a composição de um novo gabinete, formado na noite de domingo (5). O premiê justificou a decisão afirmando que a intransigência dos partidos políticos impediu qualquer avanço nas negociações para garantir a governabilidade.

“Eu estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa”, declarou Lecornu em discurso no Palácio de Matignon, sede do gabinete do primeiro-ministro.

Em publicação feita no X (antigo Twitter) um dia antes, ele havia destacado a “difícil missão” dos novos ministros em apresentar um orçamento para o país até 31 de dezembro, reconhecendo que seria necessário buscar acordo com a oposição.

A renúncia do premiê eleva as chances de dissolução do Parlamento e de convocação de novas eleições legislativas. Em pouco mais de dois anos, a França teve cinco primeiros-ministros: Élisabeth Borne, Gabriel Attal, Michel Barnier, François Bayrou e, por último, Lecornu.

Antes de assumir o comando do governo, Lecornu era ministro da Defesa e já havia ocupado diversos cargos desde a primeira eleição de Macron, em 2017. Ele substituiu François Bayrou, que deixou o cargo após nove meses de gestão.

A crise política francesa é agravada por uma situação econômica delicada, marcada pelo alto endividamento do país e pela impopularidade de Macron, especialmente após a reforma da Previdência que elevou a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos.

Desde as eleições parlamentares antecipadas de 2024, o governo enfrenta dificuldades para formar maioria. O Parlamento permanece dividido em três blocos principais — esquerda, centro-direita e ultradireita —, o que tem levado à queda sucessiva de primeiros-ministros e paralisado decisões sobre as finanças públicas.

Após o anúncio da renúncia, líderes da oposição reagiram de forma dura. A deputada Mathilde Panot, do partido A França Insubmissa (LFI), declarou que “a contagem regressiva começou”, em referência a um possível enfraquecimento de Macron no comando do país.

Fonte: PlenoNews

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