No dia 10 de setembro, o Brasil celebra o Dia do Brigadeiro, um dos doces mais populares e simbólicos do país. Feito com a tradicional mistura de leite condensado, manteiga e chocolate em pó, o doce ultrapassou as fronteiras da culinária para se tornar parte da memória afetiva nacional.
Sua origem, no entanto, não está ligada à cozinha doméstica, mas sim à política brasileira. Em 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional, disputou a presidência contra Eurico Gaspar Dutra, candidato apoiado por Getúlio Vargas. Charme e popularidade eram explorados no slogan de campanha “Vote no brigadeiro, que é bonito e é solteiro”. Para arrecadar recursos, suas apoiadoras criaram um doce vendido em eventos políticos, que logo ficou conhecido como “docinho do brigadeiro”.
Apesar da derrota de Gomes nas urnas, a receita ganhou popularidade rapidamente e se tornou presença obrigatória em festas de aniversário por todo o país. Algumas versões atribuem a disseminação da receita à doceira carioca Heloísa Nabuco de Oliveira, que também teria ajudado a consolidar o sucesso do doce no período.
A partir dos anos 2000, o brigadeiro entrou em uma nova fase com a profissionalização do mercado. Empreendedoras como Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, lançada em 2010, impulsionaram o movimento dos brigadeiros gourmet, investindo em ingredientes selecionados e criando sabores variados, como pistache, churros, morango e chocolate belga. O setor também se modernizou com equipamentos específicos, como máquinas de enrolar e panelas automáticas.
Hoje, o brigadeiro mantém sua essência de simplicidade, ao mesmo tempo em que se reinventa em versões sofisticadas. Mais do que um doce, é um símbolo da cultura nacional, que une tradição, inovação e o sabor da afetividade brasileira.
Fonte: CNN






