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Enquanto o debate público segue concentrado na alíquota estimada de 28% para o novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), um estudo inédito da Omnitax revela impactos mais profundos da Reforma Tributária sobre os setores econômicos. Segundo a análise da plataforma de inteligência tributária, a substituição de tributos atuais por dois novos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — poderá ampliar os lucros da indústria em até 10 pontos percentuais e do varejo em até 5 pontos. Por outro lado, o setor de serviços pode enfrentar elevação de preços de até 40% para preservar sua rentabilidade atual.
A principal diferença está na lógica dos créditos tributários. Enquanto a indústria e o comércio contam com cadeias longas e maior possibilidade de aproveitamento de créditos, os prestadores de serviços — com estrutura baseada em mão de obra, item não creditável — sofrerão com aumento expressivo da carga tributária.
“Cada tributo tem uma regra de creditamento. Com a unificação, a tomada de créditos se torna mais ampla”, explica Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital. Para o varejo, isso significa maior margem de manobra: manter preços e aumentar lucros, ou reduzir preços e ampliar participação no mercado.
Na indústria, o potencial de ganho é ainda mais expressivo. Com preços mantidos, o resultado operacional pode crescer até 17 pontos percentuais. Já uma redução de preços levaria a uma perda de até 5 pontos no lucro líquido.
Para os serviços, porém, o cenário é adverso. O setor pode ver a carga tributária indireta aumentar, em média, 267%, exigindo reajustes de até 40% nos preços para manter os níveis de lucro. Mesmo com a possibilidade de crédito integral para quem contrata serviços, a resistência a aumentos dessa magnitude é alta, o que pode pressionar prestadores a buscar maior competitividade.
Segundo Paulo Zirnberger, CEO da Omnitax, o cenário pode levar empresas do Simples Nacional a migrarem para regimes de lucro real ou presumido, para se alinharem à nova lógica de créditos. “As grandes empresas exigirão fornecedores adaptados ao novo modelo. Isso representa um desafio operacional e de gestão significativo”, alerta.
Haroldo da Silva, vice-presidente do Corecon-SP, avalia que a reforma redistribuirá a carga entre os setores. “A indústria, historicamente mais tributada, será aliviada. Já os serviços passam a liderar a lista dos mais impactados”, afirma. Ele destaca que o impacto será transversal, exigindo revisão de fornecedores, contratos e estratégias empresariais.
Apesar dos desafios, Silva acredita que o saldo será positivo no médio prazo. “A reforma corrige distorções históricas e traz mais transparência ao sistema. O impacto potencial pode ser comparado ao do Plano Real”, avalia. A mudança também permitirá ao consumidor saber exatamente quanto está pagando de imposto em cada compra — avanço considerado essencial para uma tributação mais justa e compreensível.
Fonte: InfoMoney
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