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Uma paciente está internada em estado grave em um hospital de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, após ter sido submetida a uma cirurgia de cervicoplastia (lipo de papada) realizada por uma biomédica sem autorização para executar o procedimento, conforme informado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb). O conselho recebeu a denúncia na segunda-feira (14) e está investigando o caso.
A jovem procurou uma clínica para realizar a lipo de papada, que visa remover o excesso de gordura na região do pescoço e abaixo do queixo. Infelizmente, a cirurgia não teve sucesso e a paciente precisou ser levada a um hospital, onde passou por uma nova intervenção cirúrgica e foi entubada. O médico Otávio Marambaia, presidente do Cremeb, afirmou que seu estado de saúde é grave.
“Uma biomédica provocou uma lesão corporal grave na paciente que se submeteu ao procedimento. Ela provavelmente se apresenta como médica em Vitória da Conquista. A paciente foi internada em estado crítico, necessitando de intubação e cirurgias complexas para salvar sua vida”, declarou o presidente. O conselho enviou uma equipe à cidade para fiscalizar a situação. A identidade da biomédica não foi divulgada, assim como mais detalhes sobre a paciente.
Entre janeiro e outubro deste ano, o Cremeb registrou 54 denúncias de falsos médicos atuando na Bahia. Uma reportagem do CORREIO, publicada em setembro, destacou o aumento desses casos no estado. Para o presidente do conselho, as redes sociais têm facilitado a apresentação de pessoas não qualificadas como médicos, atraindo pacientes.
“As redes sociais têm sido utilizadas por indivíduos sem formação médica para divulgar terapias e atendimentos, alegando que não possuem efeitos colaterais”, afirmou Otávio Marambaia. A biomédica envolvida no caso está promovendo seus serviços nas redes sociais. A Polícia Civil ainda não confirmou se recebeu denúncias relacionadas ao incidente.
“Estamos investigando o caso e exigindo que o Ministério Público tome as devidas providências. Essa pessoa deve ser processada e presa. Ela cometeu pelo menos três crimes: falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e lesão corporal grave”, acrescentou o presidente do Cremeb. Recentemente, uma das três campanhas publicitárias do conselho alertando sobre falsos médicos foi criticada nas redes sociais por ser considerada racista.
No âmbito penal, quem pratica medicina ilegalmente pode ser processado por estelionato, lesão corporal ou homicídio. No âmbito cível, aqueles que realizam tais atos – restritos aos médicos – podem ser condenados a indenizar os danos causados à “paciente” decorrentes de suas ações.
Fonte: Correio 24 horas
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