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O pagamento, por um organizador privado misterioso, da viagem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) até Londres, Inglaterra, para participar de um fórum jurídico em um hotel “caríssimo”, foi alvo de críticas do jornal O Estado de São Paulo. Segundo o veículo de imprensa, a atitude dos magistrados da Suprema Corte demonstra falta de “pudor”, uma vez que são frequentemente vistos em “eventos empresariais dentro e fora do país ou em coquetéis homenageando políticos nas mansões de advogados em Brasília”.
O jornal ressaltou a importância da vestimenta dos juízes, simbolizada pela toga preta, que representa a uniformidade, a isonomia e a sobriedade da Justiça. Além disso, destacou que todo servidor deve seguir os princípios da administração pública, tais como impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e legalidade. Para o veículo, não basta apenas ser íntegro, é preciso também parecer.
A viagem dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes ao Hotel Peninsula para participar do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias ao lado de integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, senadores e deputados gerou questionamentos sobre a necessidade de realizá-la em um hotel caro em Londres com todas as despesas pagas por um organizador privado.
O jornal apontou a falta de transparência em relação à viagem e criticou o fato de a imprensa ter sido barrada no evento. Além disso, destacou que a população brasileira não teve acesso ao teor do diálogo travado durante o evento.
O Estadão também mencionou que as passagens aéreas, jantares caros e diárias elevadas foram bancados por uma empresa de tecnologia digital, ressaltando a falta de comunicação e transparência sobre o evento.
O periódico comparou a tolerância a “extravagâncias” por parte dos ministros das Supremas Cortes no Brasil com casos semelhantes nos Estados Unidos, onde escândalos semelhantes resultaram na edição de um código de ética para os juízes.
O editorial lamentou que no Brasil haja casos em que ministros julguem processos nos quais amigos ou familiares estão envolvidos, façam manifestações políticas e antecipem vereditos antes da conclusão do julgamento. Para o jornal, quando há pudor entre as autoridades de um país, nem mesmo leis ou códigos de ética são necessários.
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