Professor é preso acusado de pornografia infantil na internet

De acordo com as informações apuradas pela jornalista Patrícia Calderón, o professor tinha preferência por meninos entre 7 e 12 anos de idade.
Um professor, que trabalhava em duas escolas, uma da rede pública estadual do Ceará e outra particular, foi preso em casa, na semana passada, acusado de produção e armazenamento de material de pornografia infantil.

 Com o suspeito, foram apreendidos dois computadores e um celular, onde estão as fotos e vídeos no material pornográfico com crianças e adolescentes. Em entrevista exclusiva, colegas de trabalho do professor foram unânimes em afirmar que nunca desconfiaram de nada em relação ao professor.

“Assim que soubemos da investigação, a direção da escola já solicitou a exoneração. Trabalha há quatro anos com a gente, foi promovido por ser um excelente profissional, jamais poderíamos imaginar. Fomos todos pegos realmente de surpresa, quem vê cara – não vê coração, comenta um profissional da escola que pediu pra não ser identificado.

 Outro professor, que também da aula para alunos entre 14 a 18 anos no colégio em Itaitinga, comenta que o professor acusado de pornografia infantil da internet era o professor mais badalado entre os adolescentes. “Sabe aquele professor que todo aluno gosta? Pois é. Criativo, dinâmico, prestativo, como poderíamos imaginar algo deste tipo?” dispara outro colega de trabalho, que também terá a identidade preservada.

Mardney Ferreira de Castro, de 37 anos, é solteiro e dava aulas de Matemática numa escola privada em Fortaleza, localizado na Avenida Bezerra de Menezes, e era coordenador da Escola de Ensino Médio e de Tempo Integral em Itaitinga – Antônio Geraldo de Lima, na Região Metropolitana da Capital Ceará.

Pornografia infantil:

Professor era investigado há meses
A Dececa, que é a Delegacia Especializada no Combate à Exploração da Criança e do Adolescente, investiga o caso desde junho deste ano e contou com a ajuda do serviço de inteligência das Polícias Federal e Civil, além de plataformas como Google, Meta (Facebook, Whatsapp e Instagram), Tinder, entre outras.

 Segundo o delegado titular da Dececa, Carlos Alexandre Marques, os suspeitos em abusos sexuais contra menores e crimes cibernéticos envolvendo materiais sexuais e de pornografia infantil estão sendo investigados e presos com a ajuda das redes sociais e sites de buscas.

“Um tratado mundial entre as entidades policiais no combate a exploração sexual, tráfico de pessoas, tudo o que envolve crianças e adolescentes, recebe algum tipo de alerta das plataformas de pesquisas e que aponta que determinado suspeito está pesquisando materiais pornográficos e buscas sobre o tema. 

No caso da prisão deste professor, fomos avisados que, desde 2018, ele produzia e mantinha um banco de dados com fotos de meninos nus, configurando pornografia infantil e abuso sexual contra menor” explica o titular.

A polícia já possui informações que pelo menos três alunos do professor estão nus e aparecem nos computadores do acusado que foram apreendidos. A Dececa com a ajuda do dr. Carlos Alexandre criou um Núcleo de inteligência que Investiga Crimes Cibernéticos contra Crianças e Adolescentes (NUICCA), onde mais de dez operações sobre o assunto já foram realizadas, em um ano, resultando em dezenas de prisões.

Professor foi preso antes de ir trabalhar

A prisão aconteceu em Messejana, bairro da região Sul de Fortaleza, no momento em que o professor, se preparava para mais um dia de trabalho em Itaitinga. Segundo informações obtidas pela reportagem, os alunos flagrados nus no material aprendido, são crianças entre de 7 e 12 anos, possivelmente fotografados no colégio privado de Fortaleza. Nas fotos com as crianças, todas elas meninos, as imagens mostram as crianças nuas da cintura para baixo, com foco no genital.

De acordo com a investigação, a predileção do acusado era por meninos, entre 7 e 12 anos, mais vulneráveis, dificultando que o abusador fosse descoberto pelos responsáveis do colégio ou os próprios pais dos menores. Ainda sobre a investigação, os menores eram fotografados no vestuário, sem consentimento, ou seja, não sabiam que estavam sendo flagrados nus, comenta uma fonte dentro da investigação.

“O acusado admitiu que baixava vídeos pornográficos com crianças desde 2010, que produziu esse material dentro da escola, e que ainda sofre com uma compulsão por sexo com menores de idade”, comenta o delegado.
A Polícia Civil continua as diligências e pretende, a partir de agora, identificar os familiares dos alunos que foram fotografados pelo abusador. Como o acusado atua desde 2018, possivelmente os meninos já estão com outras idades.

 

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