Estudo aponta que Marte pode ter tido um oceano e revela indícios de uma antiga “linha costeira”

Um novo estudo científico indica que Marte pode ter tido, no passado, um oceano de grandes proporções, capaz de cobrir cerca de um terço de sua superfície. A principal evidência seria uma extensa faixa plana no terreno, interpretada como uma antiga plataforma costeira, comparável à marca deixada pela água em uma banheira após esvaziar.

A descoberta, caso seja confirmada por observações diretas, pode contribuir para esclarecer um debate antigo na comunidade científica sobre a existência de um oceano no planeta.

Como surgiu a hipótese

Embora já existam indícios de água antiga em Marte, como redes de rios secos, deltas e leitos de lagos, ainda não há consenso sobre a presença de um oceano global. A nova pesquisa propõe que, além dessas evidências, uma plataforma costeira poderia ser um sinal mais duradouro e visível.

O autor principal do estudo, Michael Lamb, explicou a abordagem: “A questão é: se existisse um oceano em Marte e ele secasse, que vestígios teria deixado?”. Ele acrescenta: “O que procuramos foi uma faixa que circundasse onde a linha costeira teria estado, como um banco plano — porque é essencialmente isso que vemos na Terra, o que conhecemos como plataforma continental.”

Simulações e análise de dados

Para testar essa hipótese, os pesquisadores realizaram simulações computacionais que reproduzem o processo de secagem de oceanos na Terra, analisando quais estruturas geológicas permaneceriam ao longo do tempo. A plataforma continental se destacou como uma das formações mais resistentes.

Em seguida, a equipe buscou estruturas semelhantes em Marte utilizando dados do instrumento Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA), da Nasa. Segundo Lamb, “Procuramos por uma formação semelhante em Marte e encontramos algumas evidências de que ela poderia estar lá”. No entanto, ele ressalta que as evidências ainda são parciais e não conclusivas.

Evidências anteriores e limitações

A hipótese de um oceano marciano remonta à década de 1970, quando as missões Viking 1 e Viking 2 identificaram possíveis sinais de uma antiga linha costeira e de um leito marinho no hemisfério norte do planeta.

Essas evidências, no entanto, apresentam inconsistências. Segundo Lamb, a suposta linha costeira não mantém uma elevação constante, como seria esperado, o que levanta dúvidas sobre sua origem. Uma das hipóteses é que atividades vulcânicas tenham deformado a superfície ao longo do tempo.

Nova abordagem: a plataforma costeira

O estudo sugere que a plataforma costeira pode ser um indicador mais robusto. Diferentemente das linhas estreitas anteriormente identificadas, essa formação teria entre 200 e 400 metros de largura, o que a tornaria mais resistente à erosão ao longo de bilhões de anos.

Sua formação estaria ligada ao transporte de sedimentos por rios e às variações do nível da água. Em Marte, evidências adicionais reforçam essa hipótese, como dados do rover chinês Zhurong, que identificou camadas sedimentares compatíveis com antigas praias na região norte do planeta.

Água no passado e no presente

Atualmente, Marte ainda possui água, principalmente em suas calotas polares, e estudos indicam que pode haver reservas subterrâneas significativas. Dados da missão InSight sugerem que o volume de água no subsolo poderia ser suficiente para formar um oceano.

Com o tempo, a atmosfera do planeta se tornou mais fina, permitindo que grande parte da água escapasse para o espaço. Estimativas indicam que Marte pode ter mantido água líquida na superfície até cerca de 2 bilhões de anos atrás.

Próximos passos e debate científico

A possibilidade de confirmar a existência dessa “marca de banheira” pode surgir com a futura missão Rosalind Franklin, prevista para lançamento no final de 2028 e chegada a Marte em 2030. O equipamento terá capacidade de analisar tanto a superfície quanto o subsolo do planeta.

Especialistas destacam que, embora o estudo apresente uma hipótese relevante, ainda existem questionamentos. A ausência de placas tectônicas em Marte, por exemplo, levanta dúvidas sobre a formação de uma estrutura semelhante à plataforma continental terrestre.

Outros pesquisadores também apontam diferenças nas condições oceânicas entre Terra e Marte, o que pode limitar comparações diretas. Ainda assim, a hipótese é considerada testável e pode ser verificada por futuras missões.

A confirmação de um antigo oceano em Marte ajudaria a compreender melhor a evolução do planeta, incluindo as mudanças climáticas que o tornaram frio e seco, além de contribuir para investigações sobre a possibilidade de vida em seu passado.

Fonte: CNN

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