O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um novo mandato à frente da Presidência da República após vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25). O resultado foi anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Lula com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.
A disputa foi acirrada durante a apuração. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No segundo turno, os candidatos alternaram a liderança até que o petista assumiu novamente a dianteira e confirmou a vitória.
A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027. Com o resultado, Lula amplia seu histórico de vitórias em eleições diretas para a Presidência, após os mandatos conquistados em 2002, 2006 e 2022.
Lula promete governar para todos
Após a confirmação do resultado, Lula agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende governar para toda a população, independentemente de posicionamentos políticos. O presidente também destacou a importância do respeito à Constituição e da relação com o Congresso Nacional.
A chapa reeleita mantém Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente.
Abstenção foi menor que no primeiro turno
Segundo os dados apresentados pelo TSE, mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas no segundo turno, de um total superior a 158 milhões de pessoas aptas a votar. A abstenção ficou em aproximadamente 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno. Os votos brancos e nulos somaram 3,24%.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou a participação dos eleitores e as medidas adotadas para facilitar o acesso à votação, incluindo a oferta de transporte coletivo gratuito e a disponibilização de locais de votação em todo o país.
Horário de votação foi prorrogado
O segundo turno teve uma situação inédita desde a redemocratização: uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prorrogação da votação até as 19h, no horário de Brasília, nas seções eleitorais que ainda estavam abertas. A medida foi tomada após questionamentos sobre dificuldades no transporte de eleitores em algumas regiões.
As urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas. A decisão exigiu ajustes nos procedimentos de apuração, que chegou a ser suspensa temporariamente e foi retomada após as 19h.
Em seu balanço, Nunes Marques afirmou que a mudança de horário trouxe desafios operacionais e destacou que, das 499.248 urnas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31%.
O presidente do TSE também informou que o tribunal recebeu 2.265 processos relacionados às eleições, incluindo 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta. Ele ressaltou ainda a atuação de observadores nacionais e internacionais e as iniciativas voltadas à ampliação da participação política de mulheres, pessoas negras, povos indígenas e pessoas com deficiência.
Flávio Bolsonaro questiona resultado
Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende pedir a anulação das eleições. O senador contestou a decisão que prorrogou o horário de votação e declarou que não reconhece o resultado.
A contestação ocorre após a divulgação oficial da vitória de Lula pelo TSE. Eventuais pedidos de anulação deverão ser analisados pelas instâncias competentes da Justiça Eleitoral.
Trajetória política de Lula
Nascido em Garanhuns, em Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, Lula iniciou sua trajetória profissional como trabalhador da indústria e ganhou projeção política como dirigente sindical no ABC Paulista, onde liderou greves durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi deputado federal constituinte entre 1987 e 1991 e disputou a Presidência da República pela primeira vez em 1989. Após três tentativas, venceu as eleições de 2002 e foi reeleito em 2006. Voltou à Presidência em 2023, após vencer as eleições de 2022.
Seus dois primeiros mandatos foram marcados por programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni, Farmácia Popular e Luz para Todos. No terceiro mandato, foram lançadas iniciativas como o Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio público, e ações de renegociação de dívidas.
Em 2018, Lula foi preso após condenações por corrupção e ficou impedido de disputar as eleições daquele ano. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações, permitindo que recuperasse os direitos políticos e concorresse em 2022.
Com a reeleição, Lula se prepara para iniciar um novo mandato em janeiro de 2027, enquanto os questionamentos apresentados após a votação poderão ter novos desdobramentos na Justiça Eleitoral.
Fonte: Agência Senado e Tribunal Superior Eleitoral (TSE)