Dra. Rosa Maria Falcão de Oliveira Aurich. Médica Otorrinolaringologista. Graduada pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Especializada em Clínica Médica e Otorrinolaringologia. Clínica e Cirúrgica. Diretora de Recursos Humanos do São Lucas Day Hospital. Conselheira Social da Unimed Sudoeste. Integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente. Tenente da Reserva da FAB Médica. CRM 11140/ RQE 3957
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Para a Otorrinolaringologia, o conceito de surdez estaria vinculado à incapacidade em ouvir os sons, sejam eles quaisquer ou ainda à restrição na capacidade auditiva, levando a uma deficiência parcial ou total. As causas seriam variadas, podendo estar relacionadas desde a infecções, doenças metabólicas, traumas, tumores, problemas congênitos, uso de medicação ototóxica até exposição a ruído, dentre outros.
Sob essa ótica, independentemente dos conceitos e classificações, o fato é que a audição é um dos sentidos do ser humano responsável pela possibilidade das trocas de informação entre as pessoas e o mundo, contribuindo para a construção do conhecimento. Somos seres sociáveis e a comunicação é parte importante desse processo e, por isso mesmo, a surdez constitui-se num assunto importante a ser abordado.
De forma bem simples, podemos descrever o processo auditivo como um mecanismo complexo e interligado onde a nossa orelha teria o formato anatômico adequado para captar e conduzir as ondas sonoras para nosso ouvido médio. Para isso, utiliza-se de uma energia mecânica a partir do impacto da mesma na nossa membrana timpânica, que impulsionaria a nossa cadeia ossicular interna em direção à cóclea impelindo líquidos, transformando essa energia mecânica em elétrica e que seria conduzida por vias neuronais específicas até os núcleos centrais auditivos no cérebro onde esse som será processado e entendido.
Dessa maneira , qualquer comprometimento nos níveis desse complexo sistema podem comprometer a audição sendo necessário uma abordagem específica para identificar a causa.
Vale salientar que existem problemas que promovem uma ausência completa da percepção sonora e, nesses casos, não existe, por enquanto, um tratamento possível para a recuperação dessa função ficando a cargo da linguagem de sinais a possibilidade da interação das pessoas surdas com o mundo integrando-o à sociedade.
Existem outros problemas que levam a uma perda parcial em vários níveis da audição e, nesse sentido, a ciência evoluiu através de abordagens especializadas, utilizando exames específicos para o diagnóstico, identificando as causas e instituindo tratamentos que podem ser clínicos ou cirúrgicos, além da utilização de próteses auditivas externas e internas.
Estima-se que 5% dos brasileiros, segundo o IBGE, seriam surdos correspondendo a mais de 10 milhões de cidadãos onde 2,7 milhões possuiriam surdez profunda.
Fatores como aumento da estimativa de vida, vivência em ambientes poluídos sonoramente, assim como a evolução da ciência na identificação das perdas auditivas estão relacionadas a estudos mais aprofundados sobre o tema. A evolução da tecnologia, tanto em formato de diagnóstico através de exames preventivos, como o teste da orelhinha, assim como em cirurgias para implante colocar e até mesmo protótipos de aparelhos inclusivos, tem contribuído para o diagnóstico precoce e busca de solução tentando ofertar às pessoas uma condição onde o processo da comunicação dependente da audição se estabeleça e com isso o desenvolvimento dos saberes e uma melhor qualidade de vida.
Por isso campanhas educacionais e preventivas, assim como políticas públicas debatidas em torno dessa temática, são essenciais para que minimizemos os impactos gerados por esse problema, promovendo a prevenção, medidas educacionais e ações de inclusão daqueles que possuem uma surdez completa e reduzindo os impactos naqueles com qualquer tipo de perda auditiva apresentada.